Ata do Copom reduz chance de cortes em janeiro

No Radar do Mercado: documento divulgado hoje trouxe tom duro e reduziu chances de cortes em janeiro. Nos EUA, dados do payroll e do varejo deixam próximos passos do Fed em aberto

Por Itaú Private Bank

4 minutos de leitura

O Banco Central divulgou nesta terça-feira, 16, a Ata da última reunião do ano do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada na semana passada, quando decidiu manter a taxa Selic em 15,00% ao ano novamente. O Comitê concluiu que a estratégia de manutenção da taxa de juros nesse nível alto por período bastante prolongado é adequada para assegurar a convergência da inflação à meta.

Na avaliação do contexto internacional, o documento seguiu destacando o cenário externo incerto, especialmente em função da política econômica nos EUA, reconheceu que houve alguma melhora nos últimos meses em função do fim do shutdown e dos avanços em negociações comerciais.

No cenário doméstico, o Comitê avaliou que os indicadores seguem mostrando uma trajetória de moderação da atividade econômica, conforme esperado. A última divulgação do PIB reforçou esse diagnóstico. Ainda assim, o mercado de trabalho segue aquecido, com taxa de desemprego historicamente baixa, embora já dando sinais iniciais de desaquecimento.

Em relação à inflação, a Ata reconhece que as leituras recentes têm mostrado uma dinâmica melhor do que a observada no início do ano, com queda da inflação cheia e das medidas subjacentes, influenciada por um câmbio mais apreciado e comportamento mais benigno das commodities. No entanto, as expectativas apuradas pela pesquisa Focus permanecem acima da meta em todos os horizontes, ainda que em trajetória de declínio.

Sobre os próximos passos, o Comitê reafirmou que permanecerá vigilante e não hesitará em retomar o ciclo de alta de juros caso julgue apropriado diante da evolução do cenário.

Visão de Investimentos: nossa leitura é de que a autoridade monetária deverá iniciar o ciclo de cortes de juros em março, salvo uma surpresa positiva no cenário macroeconômico. Esse cenário de corte de juros está alinhado com nossas recomendações de investimentos, sobretudo nossa visão favorável para a renda variável no Brasil.

Payroll registra criação de vagas acima do esperado

O Payroll, relatório de folha de pagamentos do Departamento do Trabalho dos EUA, indicou a criação de 64 mil vagas de emprego em novembro, acima da mediana das expectativas (50 mil). O resultado acabou representando uma aceleração frente ao mês de outubro - também divulgado hoje, em divulgação atrasada por conta da paralisação do governo americano - quando o indicador registrou o corte de 105 mil vagas.

A taxa de desemprego, por sua vez, avançou de 4,4% em setembro para 4,6% em novembro, acima da expectativa do mercado (4,5%). A taxa de participação da força de trabalho subiu levemente, para 62,5%. Na parte de rendimento, o ganho por hora trabalhada cresceu 0,1% na comparação mensal, desacelerando frente a outubro (0,4%), com o salário médio chegando a US$ 36,86.

Varejo dos EUA surpreende em novembro

As vendas no varejo dos EUA se mantiveram estáveis, registrando um resultado de 0,0% em novembro, menor do que em outubro (0,2%), segundo dados do Departamento de Comércio dos EUA divulgados nesta terça-feira, 16. O resultado veio abaixo da expectativa do mercado, que era de uma desaceleração menor, para 0,1%.

Excluindo o setor automotivo e gasolina, as vendas de novembro tiveram aumento de 0,5%, acelerando em relação ao 0,1% registrado em outubro. Já o chamado “grupo de controle”, componente que exclui serviços de alimentação, concessionárias de veículos, materiais de construção e postos de gasolina, e que está mais correlacionado ao consumo do PIB, teve aumento de 0,8%, bem acima do esperado (0,4%) e do resultado de outubro (-0,1%).

Nossa visão: a criação de vagas mostra uma recuperação do mercado de trabalho na margem – vindo de números mais fracos em outubro em decorrência do setor público, enquanto a geração do emprego privado seguiu firme. Ainda assim, a taxa de desemprego seguiu acelerando, e pode fortalecer o argumento dos membros mais dovish do comitê, mais sensíveis à parte de pleno emprego do mandato dual do Fed. Por outro lado, as vendas no varejo vieram mais fortes, especialmente no grupo de controle, apontando para um consumo bastante firme em novembro.

Nesse contexto, o saldo final mantém em aberto a discussão sobre os próximos passos do Federal Reserve, que segue avaliando a evolução dos dados, mas já reconheceu em sua reunião de dezembro que a qualidade dos dados que sairão neste mês deve ter sido prejudicada por conta da paralisação do governo americano.

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