Taxa de desemprego surpreende, mas emprego formal recua
No Radar do Mercado: dados da Pnad e do Caged mostram sinais iniciais de arrefecimento do mercado de trabalho
Por Itaú Private Bank
O IBGE divulgou nesta sexta-feira, 28, os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua indicando que a taxa de desemprego para o trimestre encerrado em outubro atingiu 5,4%, abaixo da mediana das expectativas do mercado, que era de 5,5%. O resultado veio 0,7 ponto percentual abaixo do mesmo período de 2024 (6,2%). Na série com ajuste sazonal, a taxa de desemprego ficou próxima a 5,8%, patamar semelhante ao observado nos meses anteriores.
A estabilidade da taxa de desemprego foi resultado da redução do emprego (-0,2% na variação mês contra mês, com ajuste sazonal), combinada com a redução da força de trabalho (-0,2% na mesma comparação). Já a taxa de participação diminuiu 0,1 p.p para 62,0% (com ajuste sazonal), refletindo a queda da força de trabalho com a expansão da população em idade ativa. A população ocupada, por sua vez, recuou no setor formal (-0,1%) e informal (-0,3%).
Na parte de rendimento, a massa salarial real efetiva avançou 0,1%, impulsionada pelo aumento do rendimento médio (0,2% na passagem mensal, com ajuste sazonal), apesar da contração do emprego.
Ainda sobre o mercado de trabalho, na tarde de ontem, o Ministério do Trabalho e Emprego divulgou o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) de outubro. No mês, o saldo de vagas criadas foi de 85 mil empregos com carteira assinada. O saldo, no entanto, representa uma queda de cerca de 35% em relação a outubro do ano passado e veio abaixo das expectativas do mercado, que eram de 110 mil.
Nossa visão: tanto os dados do Caged divulgados ontem quanto os dados da Pnad divulgados hoje apontam para sinais iniciais de perda de fôlego do mercado de trabalho, em linha com nosso cenário de desaceleração gradual à frente.
Na última ata do Copom, a autoridade monetária disse ter maior convicção de que a taxa de juros corrente é suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta, e as condições para isso estão se confirmando: moderação gradual da atividade em curso, certa diminuição da inflação corrente e alguma redução nas expectativas de inflação.
Assim, esperamos que o ciclo de cortes de juros tenha início no primeiro trimestre de 2026, o que deve ser favorável para nossas atuais recomendações em renda fixa e renda variável.
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