Vendas do varejo e inflação ao produtor abaixo do esperado nos EUA

No radar do mercado: dados do varejo e do PPI de setembro reforçam leitura de arrefecimento da atividade e inflação moderada nos EUA, mas dados estão mais defasados do que o usual por conta do shutdown

Por Itaú Private Bank

2 minutos de leitura

Varejo dos EUA desacelera em setembro

As vendas no varejo dos EUA subiram 0,2% em setembro, desacelerando em relação a agosto (0,6%), segundo dados do Departamento de Comércio dos EUA divulgados nesta terça-feira, 25. O resultado veio abaixo da expectativa do mercado, que era de uma desaceleração menor, para 0,4%.

Excluindo o setor automotivo e gasolina, as vendas de setembro tiveram aumento de 0,1%, desacelerando em relação ao 0,6% registrado em agosto. Já o chamado “grupo de controle”, componente que exclui serviços de alimentação, concessionárias de veículos, materiais de construção e postos de gasolina, e que está mais correlacionado ao consumo do PIB, teve recuo de 0,1%, bem abaixo do esperado (+0,3%) e do resultado de agosto (0,6%).

Nossa visão: os dados de setembro reforçam a leitura de moderação do consumo americano. A queda do “grupo de controle” sugere perda de tração após um primeiro semestre mais forte, mas as incertezas quanto ao ritmo de desaceleração da demanda à frente devem continuar no radar do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA).

Inflação ao produtor dos EUA vem abaixo do esperado

O Índice de Preços ao Produtor (PPI) de setembro nos EUA também foi divulgado nesta terça-feira, 25, com o núcleo do indicador, que exclui energia e alimentação, registrando alta de 0,1% em setembro ante deflação de 0,1% em agosto. O resultado veio abaixo das expectativas do mercado, que eram de alta de 0,2% na passagem mensal. No acumulado em 12 meses, o núcleo do PPI desacelerou de 2,9% (dado revisado de 2,8%) em agosto para 2,6% em setembro, também abaixo das expectativas (2,7%).

Já o índice cheio apresentou alta de 0,3% em setembro, ante recuo de 0,1% no mês anterior, se mantendo em 2,7% na base anual (revisado de 2,6%), acima da projeção de mercado (2,6%).

Nossa visão: o resultado do PPI de setembro apresenta um alívio da inflação ao produtor, com o núcleo desacelerando na comparação anual. A implicação das duas divulgações de hoje – atividade e inflação marginalmente mais fracas do que a expectativa de mercado – junto aos discursos mais recentes de membros do Comitê tem efeito dovish para a política monetária. Dessa forma, um corte na reunião de dezembro parece ser o mais provável.

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