Focus: mercado reduz previsão de IPCA, PIB e Selic em diferentes prazos
No Radar do Mercado: relatório do Banco Central atualiza projeções do mercado após última reunião do Copom no ano. Na China, atividade perde força em novembro
Por Itaú Private Bank

O Banco Central divulgou nesta segunda-feira, 15, mais uma edição do Relatório Focus, com revisões nas projeções do IPCA, do PIB e da Selic em diferentes prazos.
Começando pela inflação, a mediana das projeções para 2025 caiu novamente, agora de 4,40% para 4,36%, assim como a de 2026, que foi de 4,16% para 4,10%. Para 2027, por sua vez, a expectativa se manteve em 3,80%. Já a expectativa para a inflação 12 meses à frente, um indicador importante para o Copom, oscilou de 4,05% para 4,04%. Em todos esses horizontes, as projeções de IPCA se encontram dentro da banda superior do intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual ao redor da meta de 3,0% ao ano definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
Em relação ao PIB, o relatório trouxe manutenção das previsões para 2025 e 2026, em 2,25% e 1,80%, respectivamente, mas registrou uma oscilação das previsões para 2027, de 1,84% para 1,83%. Enquanto isso, na parte do câmbio, as estimativas se mantiveram em R$/US$ 5,40 para 2025 e R$/US$ 5,50 para 2026 e 2027.
Já para a taxa Selic, após a confirmação de manutenção da taxa em 15,00% até o final deste ano, o Focus registrou uma queda na projeção para 2026, de 12,25% para 12,13% ao ano. Já para 2027, as estimativas permaneceram em 10,50% a.a.
Visão de Investimento: acreditamos que o Banco Central deve iniciar o ciclo de cortes de juros no primeiro trimestre de 2026, mais provavelmente em março. Saberemos mais sobre o cenário da autoridade monetária com a divulgação da Ata do Copom amanhã e do Relatório de Política Monetária, na quinta-feira. Seja como for, a proximidade dos cortes da Selic está alinhada com nossas recomendações de investimentos, sobretudo nossa visão favorável para a renda variável no Brasil.
IBC-BR recua 0,2% em outubro
O Banco Central também divulgou na manhã desta segunda-feira, 15, o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) de outubro, registrando queda de 0,20% em relação ao mês anterior na série dessazonalizada, praticamente repetindo a queda de 0,19% registrada em setembro.
Esse é o segundo resultado negativo consecutivo deste indicador que acompanha a atividade econômica do país, agregando resultados do setor de serviços, da produção industrial e das vendas do varejo, além das estatísticas do setor agropecuário. Na comparação com outubro de 2024, o indicador registrou alta de 0,4%.
O resultado até abaixo do esperado pelo mercado demonstra a tendência de desaquecimento da atividade no segundo semestre deste ano em meio à política monetária restritiva e menor impulso fiscal, e reforça a visão de que o início do ciclo de cortes de juros está próximo.
Atividade chinesa segue fraca em novembro
Na noite deste domingo, 14, o governo chinês divulgou dados da atividade do país mostrando um enfraquecimento em novembro. A produção industrial cresceu 4,8% na comparação anual, abaixo das expectativas do mercado (5,0%), refletindo moderação da manufatura, com destaque negativo para aço e setor automotivo. As vendas no varejo também surpreenderam negativamente, com alta de apenas 1,3% na base anual, bem abaixo das expectativas (2,9%), afetadas pelo fim dos estímulos ao consumo e pela antecipação da temporada de compras.
O investimento em ativos fixos manteve trajetória de queda no acumulado do ano (-2,6% a.a.), ainda que os dados mais recentes indiquem sinais iniciais de estabilização do investimento em infraestrutura, sugerindo que o pacote fiscal anunciado de cerca de 1 trilhão de yuans começa a se materializar. Já o setor imobiliário continua bastante fraco, com vendas, construção e preços ainda em terreno negativo.
Apesar dos resultados fracos no mês, a avaliação das autoridades chinesas tem sido de que não há urgência para novos estímulos no curto prazo, em um contexto de exportações resilientes. Assim, mesmo com a desaceleração recente, a meta de crescimento de 5% para o PIB em 2025 deve ser atingida.
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