Fed reduz juros na última reunião do ano
No Radar do Mercado: conforme esperado, o banco central americano reduziu a taxa de juros para o intervalo entre 3,50% e 3,75%. Projeções seguem indicando um corte em 2026
Por Itaú Private Bank
O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) decidiu cortar a taxa de juros americana em 0,25 ponto percentual, para o intervalo entre 3,50% e 3,75% ao ano. A decisão, novamente, não foi unânime. Dois membros preferiram não alterar os juros, enquanto outro seguiu defendendo um corte maior, de 0,50 p.p.
Em documento, o Comitê avaliou que os indicadores recentes sugerem uma expansão moderada da atividade econômica. Seguiu reconhecendo a desaceleração na criação de empregos e a leve alta na taxa de desemprego, e retirou o trecho que afirmava que a taxa permanecia em nível baixo. A inflação, por sua vez, segue relativamente elevada. O Comitê reiterou seu compromisso com o mandato de máximo emprego e de inflação na meta de 2,0%, e seguiu destacando que os riscos negativos para o mercado de trabalho aumentaram nos últimos meses.
Foi adicionado ao comunicado que, para avaliar a “extensão e o momento” de ajustes adicionais, o Comitê avaliará cuidadosamente os dados recebidos, a evolução das perspectivas e o equilíbrio de riscos. Para tal, seguirá levando em consideração dados do mercado de trabalho, as expectativas e as pressões inflacionárias.
Por fim, o Comitê também ressaltou que, frente à recente redução no saldo de reservas, iniciará a compra de títulos do Tesouro de curto prazo, conforme necessário, para manter um suprimento amplo de forma contínua.
Projeções do Comitê: sem mudanças expressivas

A reunião também trouxe atualizações do Comitê para as principais variáveis econômicas dos EUA. No geral, as mudanças foram pouco expressivas e, até certo ponto, esperadas. Com relação ao crescimento, o Comitê elevou as projeções em todo o horizonte apresentado. Já para o desemprego, houve apenas mudança marginal para 2027. Na frente de inflação, houve queda das projeções para 2025 e 2026, tanto no indicador cheio quanto no núcleo. Com esse novo conjunto, as projeções para os juros seguiram apontando para apenas um novo corte no próximo ano, além de um adicional em 2027.
Powell: Fed está bem posicionado
Na coletiva de imprensa realizada após a reunião, Jerome Powell, presidente do Fed, esclareceu o trecho adicionado ao comunicado. Primeiro, Powell destacou que os juros estão 0,75 ponto percentual mais baixos desde setembro e 1,75 p.p. desde setembro do ano passado. Em seguida, afirmou que, após os movimentos já realizados, considera que a autoridade está bem posicionada para aguardar e observar como a economia evolui.
Chamou atenção, por outro lado, a declaração de que acredita que os dados de criação de emprego nos EUA devem estar superestimados, o que poderia resultar em leituras mensais negativas. Quanto a sua continuidade no comitê do Fed após o fim de seu mandato como presidente, Powell novamente preferiu não responder.
De forma geral, acreditamos que a reunião veio em linha com a expectativa. A avaliação de um Fed “bem posicionado para aguardar” eleva a barra para novos movimentos no curto prazo, o que deve resultar em alguma redução de precificação de cortes no início do ano que vem pelo mercado. Ainda assim, o Comitê novamente ressaltou a dependência dos dados para as próximas decisões.
💬 O que achou deste conteúdo?
Leia também
Confira outras edições do No Radar do Mercado:
Focus: na semana do Copom, mercado reduz previsão de corte na Selic em 2026
No Radar do Mercado: relatório do Banco Central revisa projeções de inflação para bai [...]
Inflação dos EUA vem em linha com as expectativas às vésperas de reunião do Fed
No Radar do Mercado: tanto o núcleo quanto o índice cheio do PCE registraram alta em [...]
PIB do Brasil desacelera no 3º trimestre
No Radar do Mercado: PIB avança apenas 0,1%, confirmando perda de tração da atividade [...]


