Copom mantém a taxa Selic em 15%

No Radar do Mercado: Comitê confirma as expectativas, mantém a Selic e reconhece que a estratégia de manter os juros em patamar elevado por período bastante prolongado é adequada

Por Itaú Private Bank

5 minutos de leitura
Gráfico de linha com a trajetória da taxa Selic desde janeiro de 2021

O Banco Central manteve a taxa Selic em 15,00% a.a. e segue com a mensagem de que a estratégia é manter os juros em patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado. Porém, fez mudanças sutis na comunicação, que indicam algum avanço no processo de desinflação e maior confiança de que a estratégia adotada tem surtido efeito.

Houve reconhecimento da moderação da atividade, mas em linha com o esperado, e de que a inflação segue arrefecendo. Porém, o BC segue indicando que ela permanece acima da meta. A projeção do modelo do BC para o horizonte relevante (2º tri de 2027) está em 3,2%, ante 3,3% na reunião anterior.

Dessa forma, nossa leitura é que a autoridade monetária sinaliza que o plano de voo é iniciar o ciclo de cortes de juros em março, mas pode antecipar caso o cenário melhore e a incerteza corrente diminua.

Saberemos mais sobre a decisão de hoje na Ata do Copom, a ser divulgada na próxima terça-feira, bem como no Relatório de Política Monetária, que será publicado na quinta-feira da semana que vem.

Nossa visão para os mercados

Nesta semana, diante do aumento de incerteza que decorreu dos desenvolvimentos políticos e o consequente aumento de volatilidade, vemos a decisão do Copom tendo um efeito secundário nos preços dos ativos. Com o cenário fluído, o Copom teve muito cuidado para não se comprometer com próximos passos, mantendo a postura cautelosa, ainda que tenha reconhecido uma melhora marginal dos fundamentos econômicos, especialmente do mercado de trabalho.

Com relação à nossa alocação estratégica, após trazermos a nossa posição em juros prefixados de 3 anos de volta para o neutro, seguimos com um viés mais positivo para a renda fixa de prazo mais longo, antecipando um início de ciclo de corte ainda no primeiro trimestre. A moderação da atividade econômica e a reancoragem das expectativas de inflação devem permitir uma recalibragem da Selic em 2026, mesmo com a postura mais cautelosa do Comitê diante desse ambiente mais incerto.

Para a bolsa, apesar da manutenção da taxa de juros em patamar elevado, a proximidade do afrouxamento monetário nos deixa otimistas com a classe. Historicamente, períodos de cortes de juros são os mais positivos para a performance dela. No curto prazo, o cenário internacional de crescimento com desinflação deve continuar a ajudar a performance dos ativos de risco globais. Diante desse contexto, nossa recomendação para o Ibovespa segue em um nível acima do neutro e mantemos recomendação para S&P em reais dois níveis acima do neutro na carteira local.

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