BCE sobe juros e eleva projeções de inflação dos próximos anos
No Radar do Mercado: Banco Central Europeu eleva as taxas de juros da região em 0,25 ponto percentual e revisa para cima suas projeções de inflação à frente
Por Carolina Sato
O Banco Central Europeu (BCE) decidiu na manhã desta quinta-feira (10) elevar as taxas de juros da região em 0,25 ponto percentual, levando a taxa de depósito a 2,50%, a de refinanciamento a 2,65% e a de empréstimos para 2,90% ao ano, em linha com o esperado pelo mercado.
No comunicado divulgado junto com a decisão, a autoridade monetária preservou uma comunicação flexível, reafirmando estar "bem-posicionada" para navegar a incerteza. O BCE destacou que o conflito no Oriente Médio segue gerando pressões inflacionárias e que a inflação deve permanecer bem acima da meta por um período prolongado.
Fora a decisão que já era amplamente esperada, o destaque ficou por conta das projeções divulgadas pelo Banco Central Europeu, que foram revisadas para cima frente ao cenário-base de junho. O BCE manteve a projeção da inflação de 2026 em 3,0%, mas elevou a projeção para 2027 de 2,3% para 2,5%, e a de 2028 de 2,0% para 2,1%.
As projeções para o núcleo da inflação também seguiram na mesma direção, mantida em 2,5% para este ano, mas subindo de 2,5% para 2,6% no ano que vem e de 2,2% para 2,3% no ano seguinte. As expectativas para o crescimento, por sua vez, também foram elevadas, de 0,8% para 0,9% em 2026 e de 1,2% para 1,4% em 2027, enquanto para 2028 foi mantida em 1,5%. Assim, embora o guidance tenha sido preservado, o tom sobre a inflação soou mais hawkish, mais duro.
Em resumo, a mensagem central passada pela autoridade monetária foi uma combinação entre projeções mais duras para a inflação e uma comunicação que preserva flexibilidade. O BCE reiterou a abordagem dependente dos dados e reunião a reunião, sem se comprometer com uma trajetória específica de juros à frente. O Banco afirmou que as decisões seguirão baseadas na avaliação do cenário de inflação, dos riscos ao seu redor, da inflação subjacente e da transmissão monetária.
A leitura do dia reforça um pano de fundo de juros em patamar restritivo, enquanto a piora do balanço inflacionário mantém aberta a possibilidade de ajuste adicional, a depender da evolução dos preços de energia.
À frente, o foco estará no tamanho e na persistência do choque de energia, bem como em seus efeitos indiretos e de segunda ordem sobre preços, salários e expectativas de inflação. Também será importante acompanhar se os riscos altistas para a inflação seguem predominando sobre os riscos baixistas para o crescimento. A próxima decisão de política monetária está marcada para o dia 29 de outubro e nós seguiremos monitorando os dados de inflação e atividade na Europa para manter nossos clientes informados.
Visão de Investimentos: em relação às nossas recomendações de investimento, acreditamos que a comunicação do BCE reforça um ambiente menos favorável para ativos de risco na região, diante da combinação de inflação mais pressionada e política monetária ainda restritiva. Em nossa alocação tática atual, seguimos neutros na exposição a ações globais. Permaneceremos atentos à forma como a evolução dos preços de energia será incorporada às expectativas de inflação e à sinalização do Banco Central Europeu, prontos para revisitar a leitura caso o balanço de riscos mude de forma relevante.
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