PIB do 2º tri reforça desaceleração gradual da demanda doméstica
No Radar do Mercado: resultado veio ligeiramente acima do esperado, com segmentos mais sensíveis à política monetária mostrando desaceleração, enquanto outros segmentos e mercado de trabalho ainda apertado recomendam cautela
Por Carolina Sato
Na manhã desta terça-feira (1/9), o IBGE divulgou o resultado do PIB do segundo trimestre de 2026. A economia brasileira cresceu 0,5% na comparação trimestral com ajuste sazonal, após alta de 1,1% no primeiro trimestre, e avançou 2,0% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O resultado ficou ligeiramente acima das expectativas do mercado (0,4% t/t e 1,9% a/a). A composição do crescimento, no entanto, apontou desaceleração dos segmentos mais sensíveis à política monetária.
Pela ótica da oferta, a surpresa positiva ficou concentrada em agropecuária e indústrias extrativas, enquanto a parte mais cíclica seguiu mais fraca, com queda na indústria de transformação e desaceleração em serviços. No trimestre, a agropecuária avançou 2,8%, os serviços cresceram 0,2% e a indústria subiu 0,1%.
Pelo lado da demanda, o consumo das famílias recuou 0,4%, a formação bruta de capital fixo cresceu 1,2% e o consumo do governo avançou 0,4%, enquanto o setor externo teve contribuição negativa, com exportações em queda de 0,8% e importações em alta de 1,8%.
Em conjunto, a composição reforça a leitura de desaceleração gradual da atividade doméstica, ainda que o nível agregado siga sustentado por componentes menos cíclicos.
Para a política monetária, a composição do dado tende a ser mais relevante do que o resultado agregado. A moderação do consumo das famílias, dos serviços e da indústria de transformação sugere que os juros elevados seguem produzindo efeitos sobre a atividade doméstica.
Ao mesmo tempo, a resiliência de segmentos menos sensíveis ao ciclo econômico e um mercado de trabalho ainda apertado indicam que o processo de desaceleração permanece gradual.
Visão de Investimentos: a leitura de hoje confirma nosso cenário de moderação gradual da demanda doméstica. Mantemos postura neutra em renda fixa e renda variável nas carteiras locais, e seguimos atentos à evolução do cenário macro, prontos para revisitar nossas posições conforme o balanço de riscos evolua.
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