IPCA-15 registra deflação; PCE e PIB dos EUA indicam atividade resiliente e inflação moderada
No Radar do Mercado: IPCA-15 desacelera além do esperado pelo mercado em agosto e traz composição benigna. PCE e PIB dos EUA tiram pressão por ação imediata do Fed
Por Carolina Sato e Victor Camacho
IPCA-15 mostra deflação em agosto
O IBGE divulgou na manhã desta quarta-feira (26) o IPCA-15 de agosto, que registrou queda de 0,40%, abaixo das expectativas do mercado (-0,32%). Com isso a inflação acumulada em 12 meses recuou de 4,52% para 4,24%, reforçando o cenário de desaceleração da inflação.
Os principais vetores de baixa vieram do grupo “Habitação” (-1,41%), com queda em energia elétrica residencial, refletindo os efeitos da incorporação do Bônus de Itaipu, além de “Transportes” (-1,00%), com quedas de passagens aéreas e combustíveis, e o grupo de “Alimentação e Bebidas” (-0,57%).
Além do resultado cheio, que trouxe surpresa baixista disseminada, a abertura qualitativa também trouxe alguns sinais positivos. Os bens industriais seguiram em desaceleração, incluindo categorias mais sensíveis aos preços internacionais, enquanto os principais núcleos de inflação acompanhados pelo Banco Central mostraram melhora, voltando a rodar em níveis compatíveis com a convergência gradual da inflação em direção à meta.
O principal ponto de atenção continua sendo o setor de serviços. O núcleo de serviços continua pressionado e avançou no mês, acima do esperado, mostrando que a inflação mais ligada à demanda doméstica e ao mercado de trabalho continua apresentando alguma resistência.
Para a política monetária, o dado reforça a avaliação de que a inflação corrente tem mostrado moderação. A combinação de um índice cheio mais benigno, melhora dos núcleos e menor pressão nos bens contribui para um ambiente mais confortável para a continuidade do ciclo de calibração da taxa de juros, mesmo com o núcleo de serviços ainda pressionado. À frente, o Banco Central continuará monitorando principalmente a evolução dos serviços e a tendência de desinflação observada nos últimos meses.
Visão de Investimentos: o IPCA-15 reforçou o cenário de desinflação em curso e é consistente com a expectativa de mais um corte de juros pelo Copom na próxima reunião. Diante das incertezas do cenário, a autoridade monetária continuará cautelosa e dependente da divulgação de novos dados para avaliar a continuidade do ciclo de calibração monetária. Assim, seguimos com nossas recomendações neutras nas classes de ativos brasileiras.
PCE e PIB dos EUA reforçam cenário de moderação da inflação em meio a atividade resiliente
O Escritório de Análise Econômica (BEA, na sigla em inglês) dos EUA divulgou nesta quarta-feira, 26, os dados do Índice de Preços das Despesas de Consumo Pessoal (PCE, na sigla em inglês) de julho. O núcleo do indicador, principal medida de inflação acompanhada pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), avançou 0,25% no mês, praticamente em linha com as expectativas do mercado.
Embora o dado tenha vindo acompanhado de revisões altistas marginais para meses anteriores, o quadro geral permanece consistente com uma trajetória de moderação da inflação nos EUA, após um primeiro semestre mais pressionado.
A composição da divulgação foi relativamente equilibrada. Os preços de bens mostraram melhora em algumas categorias que haviam pressionado a inflação no início do ano, enquanto os serviços apresentaram avanços ligeiramente acima do esperado em segmentos como saúde e transportes. Apesar disso, não houve sinais de uma deterioração mais ampla.
As revisões para abril, maio e junho deixaram a leitura do segundo trimestre um pouco menos favorável, mas sem mudar a narrativa principal. Além disso, parte relevante da inflação de julho continua concentrada em serviços de gestão de portfólio, um componente bastante volátil e frequentemente observado com cautela pelos analistas.
Também na manhã de hoje, foi divulgada a revisão do PIB americano do 2º trimestre, que reforçou a visão de uma economia sólida. Ainda que o número tenha seguido em 1,5% (tri/tri anualizado), houve ajuste na composição, com revisões altistas para consumo e investimento não-residencial, indicando robustez da demanda doméstica mesmo frente a choques.
Visão de Investimentos: ambientes de atividade resiliente em meio a moderação das pressões inflacionárias tendem a ser positivos para ativos de risco, mas tal cenário precisa ser confirmado pelos próprios dados de inflação. No momento, o conjunto sugere uma menor pressão por ação imediata do Fed, mantendo o foco do mercado na evolução dos próximos indicadores de preços e emprego.
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