Focus: expectativas de inflação seguem relativamente estáveis, enquanto para o PIB de 2026 é revisada para baixo
No Radar do Mercado: relatório também traz pequenos ajustes na expectativa para o câmbio de 2027 e segue prevendo um corte adicional de 0,25 ponto percentual na Selic deste ano
Por Carolina Sato
O Banco Central divulgou nesta segunda-feira (24) uma nova edição do Relatório Focus. As projeções para a inflação permaneceram praticamente estáveis no horizonte de 2026, mas as expectativas para os próximos 12 meses subiram novamente. Já as estimativas para crescimento econômico de 2026 foram revisadas para baixo, mas ficaram estáveis para o próximo ano. Em paralelo, as estimativas para a Selic permaneceram inalteradas ao longo de todo o horizonte de projeção.
Começando pela inflação, para 2026, a mediana das projeções para o IPCA se manteve em 5,02%, patamar ainda significativamente acima da meta de 3,0% e também do limite superior da banda de tolerância. Para 2027, a expectativa avançou marginalmente de 4,24% para 4,25%, enquanto 2028 permaneceu estável em 3,80%. Já a inflação esperada para os próximos 12 meses foi novamente revisada para cima, passando de 4,32% para 4,42%.
Do lado da atividade, os dados mais recentes continuam apontando para uma desaceleração gradual da economia, movimento que tem sido refletido nas revisões baixistas das projeções de crescimento de curto prazo. No Focus desta semana, a expectativa para o PIB de 2026 recuou de 1,98% para 1,95%, enquanto 2027 permaneceu em 1,50%. Para 2028, a projeção avançou de 1,89% para 1,98%.
Já as estimativas para o câmbio permaneceram praticamente inalteradas. A projeção para 2026 seguiu em R$/US$ 5,20, enquanto para 2027 subiu de R$/US$ 5,29 para R$/US$ 5,30, além de permanecer em R$/US$ 5,30 para 2028.
Em relação à Selic, o mercado segue incorporando um último corte na reunião de setembro do Copom, seguido por estabilidade nas reuniões subsequentes até o início do próximo ano. As projeções permaneceram em 13,75% para 2026, 12,00% para 2027 e 10,50% para 2028.
Por um lado, uma desaceleração da inflação e da atividade econômica para 2027, sinalizadas pelas estimativas no Relatório Focus, abriria espaço para mais cortes de juros no próximo ano. No entanto, as expectativas de inflação para prazos mais longos continuam desancoradas, ou seja, acima da meta de inflação de 3,0%, o que deve fazer com que a condução da política monetária siga cautelosa e mantendo os juros em patamar restritivo por mais tempo.
Visão de Investimentos: mantemos nossa alocação neutra em prefixado, juro real e bolsa brasileira. Permanecemos atentos à evolução do cenário, especialmente à dinâmica das expectativas de inflação, à condução da política monetária e aos desdobramentos fiscais, prontos para revisitar nossa posição caso o balanço de riscos mude de forma relevante.
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