Copom reduz a Selic para 14,00% a.a., conforme o esperado
No Radar do Mercado: Comitê reafirmou serenidade e cautela à frente, mas sinalizou que pode continuar com seu ciclo de calibração da política monetária
Por Carolina Sato
O Banco Central reduziu a Selic para 14,00% a.a., em linha com as expectativas, com comunicado marginalmente mais hawkish do que o esperado, mostrando preocupação com a desancoragem das expectativas.
No cenário externo, o Comitê manteve a leitura de incerteza ligada aos conflitos no Oriente Médio, mas passou a destacar também a incerteza sobre a política monetária em algumas economias avançadas.
No doméstico, substituiu a leitura anterior de aceleração da atividade por uma moderação gradual, embora ainda em patamar resiliente, com sinais mistos entre setores e mercado de trabalho aquecido. Além disso, reconheceu desaceleração da inflação cheia e das medidas subjacentes nas divulgações mais recentes.
Em relação à reunião anterior, houve mudança do horizonte relevante para a política monetária, com a projeção de inflação passando de 3,7% no 4º trimestre de 2027 para 3,2% no 1º trimestre de 2028 – patamar ao redor da meta, segundo a autoridade monetária. Cabe destacar ainda que o comunicado continuou a explicitar assimetria altista nos riscos para a inflação.
O Comitê reafirmou serenidade e cautela e sinalizou que a magnitude total do ciclo será estabelecida à luz de novas informações. Ao mesmo tempo, a maior ênfase na desancoragem adicional das expectativas de inflação para prazos mais longos sugere um Banco Central ainda cauteloso na calibração da política monetária. Em nossa leitura, o comunicado deixa a porta aberta para novo corte da Selic na próxima reunião, condicionado à evolução do cenário.
Teremos mais informações sobre a decisão de hoje na próxima terça-feira, 11, quando a autoridade monetária divulgará a ata da reunião.
Nossa visão para os mercados
Após a última decisão, cuja comunicação gerou diferentes interpretações entre os agentes de mercado, uma série de dados mais favoráveis permitiu ao comitê apresentar um comunicado mais enxuto e sem grandes surpresas.
As leituras recentes de inflação e atividade permitiram que as projeções do Banco Central se aproximassem da meta, o que facilitou a decisão de hoje. Por outro lado, houve uma piora das expectativas mais longas, e o comitê devidamente reconheceu essas mudanças.
Assim, os próximos passos seguem dependendo dos dados. Se o cenário base se confirmar, o comitê deve dar continuidade ao processo gradual de calibração de política monetária. De qualquer forma, o Banco Central reforçou o momento de elevada incerteza, seja pelo ambiente externo de taxas mais elevadas ou pelas indefinições internas referentes à política fiscal.
Com relação à nossa alocação tática, seguimos com nosso viés neutro para a renda fixa, que adotamos desde o início do conflito no Oriente Médio, considerando a necessidade de juros mais restritivos por mais tempo devido à inflação pressionada. Nesse período, também tivemos sinais menos favoráveis para a dinâmica da inflação, refletidos nas projeções de mais longo prazo do Focus. Assim, continuamos cautelosos e devemos seguir monitorando os desdobramentos macroeconômicos em busca de oportunidades de investimento.
Para renda variável Brasil, a decisão não deve produzir um impacto relevante no curto prazo. A classe de ativos continua sensível ao nível elevado de juros, uma vez que valuations, custo de capital e fluxo para ativos de risco dependem de um ambiente monetário mais favorável. Com a taxa real ainda em patamar bastante restritivo e as expectativas de inflação de prazos mais longos desancoradas, esse processo de alívio tende a ocorrer de forma gradual.
Nesse contexto, o principal vetor para a bolsa não é o corte em si, mas a percepção de que o ciclo pode ter continuidade, algo que dependerá da confirmação da desaceleração da atividade e de novas leituras benignas de inflação. Além disso, o comportamento do investidor estrangeiro deve seguir como um dos principais vetores de curto prazo para a bolsa local, dada sua relevância para a formação de preços e sua sensibilidade às condições globais de liquidez, juros e percepção de risco. Esse fator ganha ainda mais importância neste momento, diante das incertezas relacionadas aos conflitos no Oriente Médio, à trajetória do petróleo e ao calendário eleitoral doméstico.
Seguiremos monitorando as oportunidades de mercado e atualizando nossos clientes sempre que necessário, por meio da nossa Carta Mensal de Investimento, ou tempestivamente, por meio do nosso comunicado Visão de Investimentos.
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