Copom mantém Selic em 15% a.a., mas abre porta para corte em março
No Radar do Mercado: Comitê confirma as expectativas, mantém a Selic, mas muda trechos do comunicado e sinaliza corte na reunião de março
Por Itaú Private Bank
Copom mantém Selic em 15% ao ano

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve a taxa Selic em 15,00% a.a., conforme esperado. No entanto, o Comitê explicitou que, devido à melhora na inflação e sinais mais evidentes da transmissão da política monetária, a estratégia mudou e a Selic deve ser recalibrada, antevendo o início do ciclo de cortes de juros para a próxima reunião, caso o cenário evolua conforme o esperado.
O Comitê também pontuou que a taxa de juros deve se manter em patamar restritivo e que tanto o ritmo quanto a magnitude do ciclo devem ser guiados com serenidade, de modo a assegurar a convergência da inflação à meta.
O modelo da autoridade monetária continuou indicando projeção de inflação em 3,2% no horizonte relevante, mesma projeção da reunião anterior, considerando as expectativas contidas no Relatório Focus para a taxa Selic. O relatório conta com início do ciclo em março (-0,50 ponto percentual) e ciclo total de -2,50 p.p, levando a Selic ao patamar de 12,50% ao final de 2026.
Na nossa leitura, o Banco Central indicou como cenário mais provável o início do ciclo com uma redução de -0,50 p.p. em março e sinalizou estar dependente dos dados para a condução da política monetária à frente. Saberemos mais sobre a decisão de hoje na Ata do Copom, a ser divulgada na próxima terça-feira, 3 de fevereiro.
Nossa visão para os mercados
Desde a última reunião, os indicadores econômicos continuaram vindo em linha com o esperado pelo Comitê, mostrando uma moderação gradual da atividade e da inflação, e assim corroborando a sua estratégia de manter a Selic em patamares restritivos enquanto avaliava seus efeitos. Como também não tivemos novidades na comunicação oficial desde então, o esperado era que o Banco Central mantivesse a taxa de juros, mas ajustasse o comunicado, refletindo um conforto maior com o cumprimento de seus objetivos, e possivelmente indicasse que o início de um ciclo de afrouxamento monetário estava para começar, o que ganhou força com o movimento recente de apreciação do câmbio.
Assim, tivemos um Copom alinhado com a expectativa, mantendo a taxa atual e indicando o início do ciclo para a próxima reunião de forma explícita. Porém, cabe ressaltar o cuidado que a autoridade monetária teve para reforçar que seguirá cautelosa, mantendo as taxas em patamares restritivos, ainda que recalibradas.
Com relação à nossa alocação estratégica, seguimos com nosso viés positivo para a renda fixa, que deve performar bem com o início dos cortes de juros, mesmo com a postura cautelosa do Comitê. Dentro da classe, preferimos os títulos de prazos mais longos, que se beneficiam mais da extensão do ciclo do que da sua intensidade.
Para a renda variável, a indicação do início do ciclo de cortes em março é um forte argumento para mantermos nosso otimismo com a classe. Historicamente, períodos de cortes de juros são os mais positivos para a performance da bolsa. No curto prazo, o cenário internacional de crescimento com desinflação deve continuar a ajudar a performance dos ativos de risco globais. Diante desse contexto, nossa recomendação para o Ibovespa segue em um nível acima do neutro e mantemos recomendação para S&P em reais dois níveis acima do neutro na carteira local.
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