Inflação americana reforça menor urgência para o Fed

No Radar do Mercado: leitura em linha com as expectativas mantém quadro de moderação recente da inflação, reforçando a percepção de que não há pressão para mudança na política monetária no curto prazo

Por Victor Camacho

2 minutos de leitura

O Escritório de Estatísticas do Departamento de Trabalho dos EUA divulgou, na manhã desta terça-feira (12), o Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) de julho. O índice avançou 0,1%, em linha com as expectativas do mercado, e acumula alta de 3,4% nos últimos doze meses. Já o núcleo do indicador, que exclui componentes mais voláteis, avançou 0,22% na comparação mensal, também em linha com as projeções. Na comparação anual, o índice arrefeceu de 2,6% para 2,5%.

Gráfico de barras referente ao núcleo do CPI de Julho
*O resultado mensal do CPI de outubro de 2025 não foi divulgado por conta do shutdown nos EUA. Fonte: Departamento do Trabalho dos EUA e Itaú Private Bank

Na abertura dos dados, a principal surpresa baixista veio de serviços, puxada pela queda do componente de hospedagem. Moradia seguiu compatível com um processo gradual de desinflação, enquanto alguns itens apresentaram aceleração pontual, como passagens aéreas, serviços médicos e categorias ligadas à tecnologia. Ainda assim, esses movimentos pareceram concentrados e insuficientes para alterar o quadro geral da inflação. A composição sugere, ainda, uma revisão baixista para a projeção do núcleo do PCE, medida que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) acompanha de perto.

De forma geral, a leitura do mês reforçou a percepção de moderação da inflação na margem, após dados mais pressionada até maio. Somada ao sinal de menos robustez do mercado de trabalho, após o relatório Payroll na última sexta-feira, a divulgação de hoje reforça um ambiente de menor pressão sobre o Fed, reduzindo a necessidade de discutir uma postura mais dura de política monetária no curto prazo.

Para os mercados, a interpretação tende a ser de impacto limitado, mas com viés positivo para a curva de juros e para os ativos mais sensíveis à política monetária, na medida em que o resultado não reforça a necessidade de ação do banco central por ora. Seguiremos monitorando e mantendo nossos clientes atualizados.

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