IPCA: inflação de julho fica acima do esperado, com maior pressão em serviços
No Radar do Mercado: IPCA de julho apresenta composição menos favorável, enquanto a Ata do Copom preserva o cenário de redução adicional da Selic
Por Carolina Sato
O IBGE divulgou nesta terça-feira (11) o IPCA de julho, que registrou alta de 0,07%, acima da expectativa. Em 12 meses, o índice desacelerou para 4,44%.
Na composição do resultado, o grupo “Habitação” subiu 0,99% e respondeu por 0,15 p.p. do índice, puxado principalmente pela energia elétrica residencial.
Já o grupo “Alimentação e bebidas” caiu 0,67%, com impacto de -0,14 p.p., refletindo a queda dos preços da alimentação no domicílio.
A surpresa para cima ficou concentrada nos serviços, enquanto os bens industriais apresentaram comportamento mais benigno e os alimentos seguiram em trajetória de queda, ainda que menos intensa do que o esperado.
Mesmo com a surpresa altista em serviços, as medidas de núcleo permaneceram em níveis compatíveis com um quadro inflacionário relativamente comportado.
No geral, a leitura de julho traz um qualitativo um pouco pior do que o observado no mês anterior, mas sem mudança relevante no diagnóstico inflacionário.
Ata do Copom: BC mantém porta aberta para continuidade do ciclo de calibração da Selic
Também nesta terça-feira (11), o Banco Central divulgou a ata da última reunião do Copom. O documento veio em linha com o esperado e, na margem, foi lido como um pouco mais dovish do que o comunicado divulgado após a reunião da semana passada, embora sem alterar a leitura geral do Copom.
No racional da decisão, o Comitê voltou a destacar que as evidências de transmissão da política monetária contracionista para a atividade têm se acumulado gradualmente, mas que a inflação segue pressionada, em parte pela demanda, exigindo manutenção de caráter restritivo.
Para frente, a mensagem central segue sendo de serenidade e cautela. O Copom reiterou que a magnitude do ciclo de calibração será ajustada à luz da evolução do cenário, de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta.
Na nossa leitura, a ata parece reduzir o peso marginal dado às expectativas mais longas em relação ao comunicado da semana passada e transmite maior confiança no cenário de desaceleração da atividade, o que preserva o cenário de novo corte de juros na próxima reunião, a depender da evolução do cenário.
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