Payroll nos EUA e Copom reduz a Selic para 14,00% a.a.

No Radar do Mercado: Relatório de emprego americano surpreende com queda de postos de trabalho em julho, além de revisões baixistas de leituras anteriores. Na agenda doméstica, Copom corta a Selic, mas mantém tom cauteloso

Por Carolina Sato e Victor Camacho

5 minutos de leitura

Payroll: desaceleração do emprego em julho

O Departamento de Trabalho dos EUA divulgou na manhã desta sexta-feira (7/8) o relatório de folha de pagamentos, Payroll, de julho. A criação de vagas veio fraca, com queda de 23 mil postos, resultado de alta de 30 mil no setor privado e recuo de 53 mil no setor público. Destacou-se, ainda, a revisão baixista de leituras anteriores, superior a 100 mil vagas, em uma leitura geral mais fraca do que a expectativa.

Gráfico de barras referente ao payroll de julho
Fonte: Departamento de Trabalho dos EUA e Itaú Private Bank

Pela Household Survey, houve queda da taxa de desemprego, de 4,2% para 4,1%. A composição, no entanto, mostrou que o movimento foi explicado por nova retração da taxa de participação, enquanto houve queda de cerca de 90 mil empregos, reforçando a avaliação mais fraca da divulgação de hoje. Nos salários, o average hourly earnings veio abaixo do esperado, e seguiu reforçando a tendência de desaceleração.

De maneira geral, a leitura de hoje veio fraca, mas não configura um sinal claro de deterioração do mercado de trabalho. Ainda assim, indica um menor vigor do que os dados apontavam até então. Assim, a divulgação tende a alterar o equilíbrio da discussão do Fed. Se antes o foco parecia totalmente direcionado à inflação, agora o emprego retoma algum peso, aliviando, na margem, a pressão por uma reação da autoridade no curto prazo. Ainda assim, os próximos dados de inflação devem seguir como principal determinante das próximas reuniões.

Copom reduz a Selic e preserva assimetria altista para a inflação

O principal destaque da semana na agenda doméstica ficou por conta da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada na quarta-feira (05), que reduziu a taxa Selic para 14,00% ao ano, em linha com o esperado. O comunicado, porém, trouxe nuances importantes e foi interpretado como marginalmente mais hawkish.

No cenário doméstico, o Banco Central passou a descrever a atividade como em moderação gradual, embora ainda resiliente. Reconheceu ainda desaceleração da inflação cheia e das medidas subjacentes nas divulgações mais recentes. Ainda assim, a comunicação seguiu enfatizando a desancoragem das expectativas de inflação em prazos mais longos e manteve a assimetria altista no balanço de riscos para a inflação.

No cenário externo, além das incertezas ligadas ao Oriente Médio, o Comitê passou a destacar com mais ênfase a incerteza sobre a política monetária em algumas economias avançadas.

Em conjunto, a mensagem reforça um Banco Central ainda dependente da evolução dos dados e pouco inclinado a oferecer sinalização firme sobre a magnitude final do ciclo.

Focus melhora na margem, mas expectativas longas seguem pressionadas

Nesta semana também, uma nova edição do Relatório Focus trouxe novo recuo da projeção de IPCA para 2026 e acomodação adicional do IPCA 12 meses à frente. Também houve redução da Selic esperada para 2026, em um movimento compatível com a interpretação de que a porta para continuidade do ciclo de calibração dos juros segue aberta.

Ainda assim, o quadro à frente continua desafiador. As projeções de inflação para 2027 e 2028 permaneceram em nível elevado. Esse comportamento reforça a percepção de que a convergência das expectativas continua mais lenta do que o desejável para a política monetária.

Do lado da atividade, as estimativas para o PIB de 2026 seguem estáveis, enquanto 2027 voltou a mostrar perda de fôlego.

Produção industrial recua e reforça leitura de atividade mais moderada

Na agenda de atividade, a produção industrial de junho divulgada na terça-feira (04), caiu 1,8% frente a maio, resultado pior do que o esperado e disseminado entre setores. A fraqueza apareceu tanto na indústria extrativa quanto na de transformação.

Segundo o IBGE, a maior parte dos setores pesquisados e todas as grandes categorias econômicas registraram taxas negativas no mês. Por ora, o conjunto de dados sugere um crescimento econômico mais moderado na margem, conforme mencionado pelo Banco Central.

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