CPI acelera nos EUA, mas núcleo da inflação vem abaixo da expectativa

No Radar do Mercado: inflação sobe em maio nos EUA, conforme o mercado já esperava, e acumulado em 12 meses chega ao maior nível em três anos

Por Victor Camacho

2 minutos de leitura

O Escritório de Estatísticas do Departamento de Trabalho dos EUA divulgou na manhã desta quarta-feira (10/6), o Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) de maio, registrando um avanço de 0,5%, em linha com as expectativas do mercado. Com isso, a taxa acumulada em 12 meses subiu para 4,2%, o valor mais alto em três anos.

Com boa parte das pressões vindas do aumento de preços de energia, no entanto, o núcleo da inflação ficou abaixo do projetado pelo mercado. A medida, que exclui itens mais voláteis como energia e alimentos, avançou 0,21% na variação mensal, abaixo da projeção de 0,3%. Ainda assim, o núcleo do CPI seguiu em alta, e agora avança 2,9% frente a maio do ano passado.

Combinação de gráfico de barra e de linhas mostrando a variação mensal e do acumulado em doze meses do núcleo do CPI dos EUA nos últimos treze meses
Fonte: Departamento do Trabalho dos EUA e Itaú Private Bank

A divulgação de hoje trouxe leituras mais benignas dos núcleos de bens e serviços. Houve alívio em categorias que vinham sendo monitoradas como potenciais focos de pressão, como itens ligados a tarifas e tecnologia. Em paralelo, o impacto da Copa do Mundo de futebol sobre alguns itens, como hospedagem, também pareceu limitado no mês. Por outro lado, a tradução do número de hoje para o núcleo do PCE, medida acompanhada de perto pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), sugere maior pressão neste mês, o que deve manter a pressão sobre a autoridade monetária.

O balanço de uma leitura abaixo do esperado, mas que sugere um núcleo do PCE mais pressionado, em contexto de atividade ainda resiliente, não é suficiente para alterar a leitura para a política monetária, com o Fed mantendo o foco no mandato de preços no curto prazo. Ainda assim, a divulgação pode aliviar a tendência de elevação da precificação de alta de juros, que ganhou força no fim da última semana com os dados mais fortes de mercado de trabalho.

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