Focus: projeção de inflação deste ano sobe pela 12ª semana consecutiva

No Radar do Mercado: novo relatório Focus trouxe revisões para cima da inflação e do PIB e para baixo do câmbio. Confira também a revisão de cenário local e global do Itaú BBA

Por Carolina Sato

6 minutos de leitura

O Banco Central divulgou nesta segunda-feira (1º/6) uma nova edição do Relatório Focus, com ajustes nas expectativas do mercado para os principais indicadores macroeconômicos do Brasil. Desta vez, as projeções para a Selic não mudaram, mas foram alteradas expectativas para o câmbio, PIB e inflação em diferentes prazos.

Tabela com as projeções do mercado para o IPCA, a Selic, o PIB e o câmbio de 2026, 2027 e 2028 coletadas pelos Relatório Focus do Banco Central.
Fonte: Banco Central do Brasil e Itaú Private Bank

Começando pela inflação, a projeção para 2026 subiu pela 12ª semana consecutiva, passando agora de 5,04% para 5,09%, ainda mais distante do limite superior do intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual ao redor da meta de 3,0% ao ano, definido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Para 2027, a mediana das estimativas registrou oscilação de 4,01% para 4,02%, assim como para 2028, quando a projeção avançou de 3,65% para 3,66%. Já a inflação 12 meses à frente, um indicador importante para a tomada de decisão por parte do Comitê de Política Monetária (Copom), apresentou variação para baixo, de 4,07% para 4,06%.

Já no câmbio, as projeções oscilaram para baixo tanto para 2026, de R$/US$ 5,17 para R$/US$ 5,16, quanto para 2027, de R$/US$ 5,26 para R$/US$ 5,25. Para 2028, a estimativa permaneceu em R$/US$ 5,30.

Em relação ao PIB, a projeção para 2026 oscilou novamente para cima, agora de 1,89% para 1,90%. Já para 2027, permaneceu em 1,70% e para 2028, seguiu sem mudança em 2,00%.

Por fim, em relação à Selic, as expectativas do mercado seguiram estáveis em 13,25% para 2026, 11,25% para 2027 e 10,00% para 2028.

Revisão de Cenário do Itaú BBA - Local

Também nesta segunda-feira (1º/6), a equipe de macroeconomia do Itaú BBA divulgou uma revisão de suas projeções econômicas para o Brasil e o mundo. Entre os destaques, a equipe entende que uma atividade mais forte e uma inflação mais resiliente reduzem a quantidade e a magnitude dos cortes esperados na Selic ainda este ano.

Começando pela inflação, a equipe revisou a projeção para 2026 de 5,2% para 5,4%, refletindo principalmente o maior repasse indireto do choque do petróleo para os preços domésticos. Enquanto isso, a previsão para 2027 foi revisada de 4,3% para 4,5%, no limite superior da banda de tolerância da meta definida pela Conselho Monetário Nacional (CMN), pesando a combinação de maior inércia inflacionária com a pressão adicional em alimentos, causada por riscos associados à disponibilidade de fertilizantes e ao impacto do El Niño.

Em relação ao PIB, o Itaú BBA revisou a projeção de 2026 de 1,9% para 2,1%, incorporando o impacto de medidas de estímulo anunciadas pelo governo recentemente que deixaram o balanço de riscos para o crescimento deste ano mais equilibrado. Já para 2027, a projeção foi mantida em 1,7%, enquanto as estimativas para a taxa de desemprego permaneceram em 5,7% em 2026 e 6,0% em 2027.

Diante da nova piora do cenário inflacionário e da atividade resiliente, os economistas do Itaú BBA entenderam que o espaço para corte de juros ficou ainda mais limitado e decidiram revisar a projeção para a Selic terminal em 2026 de 13,25% para 13,75%, mantendo o ritmo de cortes de 25 pontos-base, sem espaço para aceleração.

Por fim, em relação ao câmbio, o Itaú BBA segue projetando taxa em R$/US$ 5,15 em 2026 e R$/US$ 5,35 em 2027, pois acredita que os fundamentos seguem dando suporte para a moeda brasileira no curto prazo, mas a incerteza típica de anos eleitorais justifica a projeção de alguma depreciação ao longo do ano.

Confira o relatório na íntegra para mais detalhes.

Revisão de Cenário do Itaú BBA - Internacional

Na revisão de cenário global, o conflito no Oriente Médio segue balizando as projeções das principais variáveis macroeconômicas mundo afora. Na visão do Itaú BBA, há menos disposição das partes para reescalar o conflito, mas a resolução por via diplomática segue incerta até o momento e, mesmo com o cessar-fogo válido desde o início de abril, o estreito de Ormuz segue sem retomada significativa do fluxo de navios na região. Diante disso, o BBA mantém a projeção de petróleo a US$ 85/barril ao fim de 2026, considerando uma resolução do conflito ainda no primeiro semestre, e queda para US$ 75/barril ao fim de 2027.

Nos EUA, a equipe do Itaú BBA decidiu reduzir a projeção de crescimento americano de 2,6% para 2,4% neste ano, após observar surpresas para baixo no resultado do PIB do 1º trimestre, anda que enxergue que o crescimento deve ser forte no restante do ano. Em relação à inflação, o Itaú BBA destaca que a pressão sobre os preços pré-conflito no Oriente Médio que já se mostrava persistente está ainda mais distante da meta e não mostra sinais de melhora. Com isso, a equipe de macroeconomia não espera cortes de juros por parte do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) até meados do ano que vem.

Enquanto isso, na Europa, o Itaú BBA agora projeta que o Banco Central Europeu (BCE) subirá juros nas reuniões de junho e julho, de 2,0% para 2,5% ao ano, diante da longa extensão do conflito no Oriente Médio. A autoridade já sinalizou que, mesmo que ocorra uma resolução rápida do conflito, o impacto do preço mais alto de energia na economia será persistente e a atividade na região já mostra sinais de desaceleração diante de preços de energia mais altos.

Na China, o Itaú BBA decidiu manter as projeções de crescimento em 4,7% em 2026 e 4,5% em 2027. Na leitura do BBA, os dados de atividade em abril foram mais fracos na demanda doméstica com alguns sinais incipientes de impacto do choque de energia, em particular, queda de produção de refinados de petróleo. Por outro lado, as exportações seguiram como o principal pilar de crescimento chinês, impulsionadas agora pelo ciclo de inteligência artificial, o que mantém baixa urgência para estímulos para demanda doméstica. Segundo o BBA, no entanto, isso pode mudar, caso ocorra uma desaceleração do crescimento global em meio ao choque do petróleo.

Por fim, na América Latina, na visão da equipe de macroeconomia do Itaú BBA, os riscos de inflação estão inclinados para cima, impulsionados pelos custos de energia e choques de oferta relacionados ao clima (notadamente, ao El Niño), com isso os bancos centrais estão sendo cada vez mais forçados a adotar uma postura cautelosa.

Confira todos os detalhes no relatório na íntegra.

Confira também o resumo feito pela economista Lorena Dourado no podcast Itaú Views Morning Call desta segunda-feira:

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