PIB e inflação nos EUA: resultados abaixo do esperado

No Radar do Mercado: inflação americana vem abaixo do esperado, mas com surpresa concentrada, enquanto crescimento dos EUA modera no 1º trimestre

Por Victor Camacho

2 minutos de leitura

O Escritório de Análise Econômica (BEA, na sigla em inglês) dos EUA divulgou nesta quinta-feira, 28, os dados do Índice de Preços das Despesas de Consumo Pessoal (PCE, na sigla em inglês) de abril, registrando alta de 0,4% no mês, ainda pressionado pelo choque de energia, mas abaixo da projeção do mercado. Em 12 meses, o indicador acumula alta de 3,8%, distante da meta do banco central americano.

Já o núcleo do indicador, que exclui itens mais voláteis como energia e alimentação e é a medida referência para o banco central americano, avançou 0,24% no mês. O resultado ficou abaixo da projeção do mercado, mas com surpresa concentrada em componentes pontuais, sem necessariamente indicar um arrefecimento mais disseminado das pressões. Na métrica anual, o indicador seguiu em alta, atingindo 3,3%.

Também nesta manhã, o PIB do primeiro trimestre dos EUA foi revisado para baixo, de 2,0% para 1,6% (crescimento anualizado frente ao último trimestre de 2025). A revisão divergiu da expectativa do mercado, que projetava manutenção do ritmo de crescimento.

A divulgação por parte do Departamento de Análise Econômica dos EUA indicou um ritmo marginalmente mais moderado da demanda doméstica, explicado pelo consumo. Já os investimentos tiveram ligeira revisão altista, ainda suportados pela forte demanda relacionada a tecnologia. A menor contribuição dos estoques também ajudou a explicar a recalibração.

Apesar da moderação, o ritmo de crescimento dos EUA segue sólido. A partir do segundo trimestre, no entanto, os efeitos positivos da política fiscal sobre o consumo começam a se dissipar, enquanto os preços mais altos de energia passam a pesar mais sobre a renda, exigindo monitoramento.

Para o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), o mix de hoje é benigno na margem, mas, por ora, não altera o panorama para a política monetária. A inflação surpreendeu para baixo, mas segue em tendência altista, enquanto o crescimento moderou, mas continua em ritmo resiliente. Ou seja, no curto prazo, o foco da autoridade seguirá mais concentrado no mandato de inflação. Para mercados, a avaliação é similar, oferecendo algum alívio à curva de juros americana, mas com efeito limitado. Seguiremos monitorando as próximas divulgações e mantendo nossos clientes informados.

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