Resumo da semana: ata do Fed reforça cautela global

No Radar do Mercado: dados de atividade global mostram desaceleração, enquanto a ata do Fed reforça postura mais restritiva da política monetária.

Por Victor Camacho

3 minutos de leitura

Ata do Federal Reserve

Na frente internacional, o destaque ficou com a divulgação da ata da última reunião do Federal Reserve, que reforçou um tom mais duro. O documento indicou diversos membros favoráveis à retirada do viés de flexibilização monetária, algo que já havia sido sinalizado, ainda que em menor escala, no comunicado pós-reunião.

O comitê também demonstrou maior preocupação com a inflação, havendo discussão sobre o risco de desancoragem das expectativas. Pelo lado do mercado de trabalho, a avaliação é de que os riscos seguem baixistas, mas os participantes reconheceram que o nível mais baixo de geração de emprego não necessariamente implica uma fragilidade do mercado de trabalho. Compartilhamos dessa opinião, já que a redução da imigração e, consequente menor crescimento da oferta de mão de obra, reduz o ritmo neutro de criação de vagas.

A percepção mais conservadora se confirmou, ainda, com a sinalização de que a maioria dos membros se posicionaria de forma favorável a uma política mais restritiva no caso de a inflação seguir persistentemente acima da meta.

Indicadores de atividade da China

Os indicadores de atividade da China referentes a abril confirmam um quadro de desaceleração, com surpresas negativas nas leituras da produção industrial, vendas no varejo e investimentos, refletindo uma perda de fôlego após um primeiro trimestre forte. Também segue a divergência entre os motores externos e locais, com exportações ainda resilientes contrastando com uma fraqueza da demanda doméstica.

Europa: divulgação dos PMIs

Na Europa, houve a divulgação dos PMIs, pesquisas de sentimento de atividade. O PMI composto recuou para 47,5, se mantendo em território que indica desaceleração da atividade. A deterioração foi concentrada no componente de serviços, enquanto manufatura segue em território de expansão, ainda que parcialmente distorcida por fatores ligados a interrupções na cadeia produtiva.

Quanto aos componentes de inflação e mercado de trabalho, o emprego recuou pelo 5º mês consecutivo, enquanto os custos de insumos atingiram ritmo mais forte em 3 anos. Já os preços de venda seguiram acelerando, reforçando o quadro de risco de estagflação.

Brasil: divulgação do IBC-Br

Na frente local, o destaque das divulgações foi o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que registrou queda de 0,67% em março, abaixo do consenso e revertendo parte da alta observada no mês anterior. A divulgação fechou o quadro de indicadores de atividade para março, reforçando sinais mistos. A produção industrial registrou alta marginal e o varejo surpreendeu positivamente, enquanto o volume de serviços apresentou queda disseminada entre os segmentos. Apesar da leitura mista, os resultados ainda são compatíveis com um crescimento sólido no primeiro trimestre do ano.

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