Ata do Copom mostra Comitê disposto a manter ritmo de corte de juros
No Radar do Mercado: documento divulgado hoje fornece mais informações a respeito das discussões do Copom segundo corte de juros consecutivo de 0,25 ponto percentual
Por Victor Camacho
O Banco Central divulgou nesta terça-feira, 5, a Ata da terceira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do ano, em que decidiu prosseguir com o ciclo de calibração da política monetária ao promover um novo corte de 0,25 ponto percentual, que levou a taxa Selic de 14,75% para 14,50% ao ano.
A ata veio em linha com a sinalização anterior, sendo neutra em relação ao comunicado divulgado logo após a decisão na semana passada. O documento reforçou o prosseguimento do ciclo de calibração, sem prever uma cláusula de saída ou indicação prévia sobre o ritmo e a extensão dos próximos passos. O racional da decisão combinou evidências de transmissão da política monetária sobre a desaceleração da atividade, inflação recente mais forte e um ambiente ainda marcado por elevada incerteza externa.
Em relação ao balanço de riscos, o Comitê manteve a avaliação de simetria, ainda que tenha dado ênfase adicional na desancoragem das expectativas mais longas, em particular para 2028. Essa parte da Ata gerava alguma expectativa sobre possíveis sinais de como o Copom poderia se comportar à frente. Isso porque, historicamente, quando o Copom sinaliza um balanço de riscos assimétrico, com mais fatores altistas do que baixistas sobre a inflação, o ritmo de corte de juros costuma diminuir algumas reuniões depois.
Como isso não ocorreu, a mensagem central do Comitê sobre o que esperar à frente seguiu sendo de “serenidade” e “cautela”. O Copom reiterou que a magnitude e a duração do ciclo serão determinadas ao longo do tempo, à medida que novas informações sejam incorporadas, e que os passos futuros dependerão de maior clareza sobre a profundidade e a evolução do conflito no Oriente Médio, seus efeitos sobre os preços e o comportamento das expectativas de inflação, especialmente nos horizontes mais longos, e reforçou que, em ambiente de expectativas desancoradas, a política monetária requer restrição maior e por mais tempo.
Além disso, domesticamente, será importante acompanhar se a desaceleração do crédito e da atividade se consolida para medir seus impactos sobre a extensão do ciclo. Para os ativos, a leitura tende a manter a curva de juros sensível aos dados e ao cenário externo, exigindo acompanhamento próximo da divulgação dos próximos indicadores e dos resultados concretos das negociações em torno do conflito no Oriente Médio. Seguiremos monitorando e mantendo nossos clientes informados.
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