IPCA e CPI: alimentos e energia pressionam inflação no Brasil e nos EUA
No Radar do Mercado: inflação acumulada em 12 meses se aproxima do teto da meta no Brasil e, nos EUA, pressões sobre energia sugerem que foco do Fed deve ficar sobre a alta dos preços
Por Victor Camacho
IPCA de abril sobe 0,67% e acumulado em 12 meses chega a 4,4%
O IBGE divulgou na manhã desta terça-feira, 12, o IPCA de abril com uma alta de 0,67%, praticamente em linha com a expectativa do mercado (0,68%). A leitura marcou uma desaceleração frente a março, quando houve avanço de 0,88%. Em 12 meses, porém, o índice subiu de 4,14% para 4,39%, apresentando também composição um pouco pior na margem, puxado sobretudo por serviços.
Na composição do resultado mensal, o grupo “Alimentação e bebidas” subiu 1,34% e respondeu por 0,29 ponto percentual do índice cheio, enquanto “Saúde e cuidados pessoais” avançou 1,16%, com impacto de 0,16 p.p. Já o grupo “Transportes” desacelerou para 0,06%, refletindo a queda de 14,45% em passagens aéreas, ainda que a gasolina tenha subido 1,86% e permanecido como principal impacto individual (de 0,10 p.p.) no índice geral.
Na leitura qualitativa, a principal surpresa veio de serviços, com destaques para serviços bancários e conserto de automóveis. Em bens industriais, a pressão segue presente, ainda que sem surpresas relevantes frente ao quadro recente. Na média móvel de três meses, com dados dessazonalizados e anualizados, houve aceleração da média dos núcleos acompanhados pelo Banco Central.
Para a política monetária, o dado mantém uma leitura cautelosa para o Banco Central: a inflação cheia e o acumulado em 12 meses seguem em patamar desconfortável, mas a divulgação não implica, por ora, mudança relevante na tendência para o ano. Nos mercados, a piora na composição, puxada por serviços, tende a pressionar a curva de juros doméstica, ainda que as oscilações dos preços do petróleo venham explicando boa parte dos movimentos da renda fixa. À frente, segue sendo importante monitorar a evolução dos componentes de gasolina e alimentos, além da persistência da pressão sobre bens industriais.
CPI de abril sobe 0,6% nos EUA e acumulado em 12 meses chega a 3,8%
Também nesta manhã foi divulgado o Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos EUA, que avançou 0,6% em abril, em linha com a expectativa do mercado. Com isso, a variação em 12 meses acelerou para 3,8%, refletindo a pressão sobre preços de energia em meio ao conflito no Oriente Médio.
Já o núcleo do CPI, que desconsidera itens mais voláteis, como alimentos e energia, registou variação mensal de 0,38% no mês, acima da projeção do mercado (0,3%). Com isso, o indicador já acumula uma variação anual de 2,8%. Na leitura de hoje, o núcleo de bens permaneceu em nível baixo, sem sinal relevante de adicional repasse tarifário. Já o núcleo de serviços acelerou, em boa parte refletindo uma alta mecânica já esperada dos indicadores de habitação, ainda reflexo do impacto sobre os dados do shutdown que paralisou o governo americano no segundo semestre do ano passado.
Em linhas gerais, o resultado mantém a inflação em patamar alto, mas sem sugerir, por ora, uma disseminação mais ampla das pressões. A tradução preliminar para o núcleo do Índice de Preços das Despesas de Consumo Pessoal (PCE, na sigla em inglês), métrica de referência para o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), sugere uma leitura um pouco menos pressionada que o CPI, mas ainda incompatível com a meta.
Associada ao dado mais forte de mercado de trabalho na última sexta-feira, a divulgação de hoje reforça que, no curto prazo, o foco do Fed deve estar mais concentrado no mandato de preços, em meio à inflação corrente se distanciando da meta e riscos associados ao choque de energia.
Para mercados, a sugestão de um Fed parado por mais tempo mantém pressão sobre as taxas de juros, especialmente as mais relacionadas ao ciclo de política monetária, ainda que os preços de petróleo venham explicando boa parte dos movimentos da renda fixa. À frente, seguiremos monitorando as divulgações que ajudam a melhor calibrar o PCE de abril, além do desenrolar do conflito no Oriente Médio.
💬 O que achou deste conteúdo?
Confira os artigos mais recentes
Focus: mercado eleva projeção de inflação e Selic após divulgação da Ata do Copom
No Radar do Mercado: projeção de inflação de 2026 sobe mais e, desta vez, projeção pa [...]
Ata do Copom mostra Comitê disposto a manter ritmo de corte de juros
No Radar do Mercado: documento divulgado hoje fornece mais informações a respeito das [...]
Focus: após Copom, inflação para cima e câmbio para baixo
No Radar do Mercado: nova edição do Relatório Focus traz atualizações nas projeções d [...]