Payroll: criação de vagas de emprego nos EUA surpreende o mercado

No Radar do Mercado: criação de vagas em abril veio mais forte do que o esperado, reforçando uma leitura de mercado de trabalho ainda firme e abrindo espaço para o Fed focar no controle da inflação

Por Victor Camacho

2 minutos de leitura

O Departamento de Trabalho dos EUA divulgou na manhã desta sexta-feira, 8, os dados do mercado de trabalho americano referentes ao mês de abril. O relatório da folha de pagamentos, Payroll, indicou a criação de 115 mil novas vagas no mês, superando a expectativa do mercado, que projetava 65 mil novos postos.

Gráfico de barras mostrando a variação mensal do saldo de vagas a cada um dos últimos 13 meses nos Estados Unidos segundo o relatório Payroll
Fonte: Departamento do Trabalho dos EUA e Itaú Private Bank

A criação no setor privado também veio mais forte, alcançando 123 mil vagas. Pesaram positivamente o término de paralisações trabalhistas, além de condições climáticas favoráveis. A leitura veio na direção indicada por dados de mais alta frequência, que sinalizavam um mercado de trabalho mais saudável versus a foto do início do ano.

Já a pesquisa familiar indicou manutenção da taxa de desemprego em 4,3%, em linha com as projeções. No entanto, a manutenção se deu em meio a uma queda do emprego e da taxa de participação. Ou seja, a pesquisa sugere uma leitura mais mista do que o relatório Payroll isoladamente indicaria.

No que diz respeito ao impacto na decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), o dado deve ajudar a reduzir os receios de uma deterioração adicional do mercado de trabalho, abrindo espaço para um maior foco no outro lado do mandato, o da inflação. Em particular, a combinação de um mercado de trabalho mais firme, junto a uma inflação em alta, e com riscos relacionados ao conflito no Oriente Médio, reforça a visão de um banco central sem espaço para flexibilizar os juros.

Para mercados, a leitura de manutenção do nível de juros por período prolongado é menos favorável à renda fixa, em linha com nosso atual posicionamento, abaixo do neutro no Tesouro americano.

À frente, vale monitorar se há uma compensação em maio após a influência do clima, além do dado de inflação de abril, a ser divulgado na próxima semana. Seguiremos monitorando e informando nossos clientes.

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