Resumo da Semana: curva de juros americana pressionada e novas tarifas em discussão
No Radar do Mercado: a semana foi marcada pela divulgação de dados fortes de mercado de trabalho americano e recomendação de novas tarifas por parte dos EUA
Por Carolina Sato
EUA: mercado precifica alta de juros, após dados fortes de mercado de trabalho
O Departamento de Trabalho dos EUA divulgou na manhã desta sexta-feira, 5, os dados do mercado de trabalho americano referentes ao mês de maio. O relatório da folha de pagamentos, Payroll, veio forte, indicando a criação de 172 mil postos no mês, acima do esperado pelo mercado, e taxa de desemprego estável em patamar baixo, de 4,3%, reforçando a leitura de um mercado de trabalho resiliente.
Em maio, os destaques foram os aumentos de empregos nos setores de lazer e hotelaria, administração pública local e saúde. Por outro lado, o emprego em atividades financeiras diminuiu. Cabe destacar que o ganho expressivo observado em serviços, especialmente em lazer e hotelaria, pode ter sido inflado por efeitos temporários ligados à Copa do Mundo de futebol, com possível devolução adiante.
Além disso, na semana tivemos a divulgação de Índices de Gerentes de Compras medido pelo ISM (Institute for Supply Management) referentes a maio, que sugerem um quadro de atividade resiliente nos EUA. Na manufatura, o índice veio ligeiramente melhor, passando de 52,7 para 54, com fortalecimento de produção, novas encomendas e emprego, mas ainda sob pressão relevante de custos. Já em serviços, o indicador subiu de 53,6 em abril para 54,5 pontos em maio, com aumento de novos pedidos e preços.
Para o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), os dados divulgados nesta semana reforçam uma postura cautelosa, evidenciando um mercado de trabalho forte, atividade econômica resiliente e pressão de preços. Assim, o mercado de juros americanos deve ficar pressionado, sustentando o dólar americano em patamar elevado.
Zona do Euro: inflação pressionada e sinais de moderação no crescimento econômico
Na Zona do Euro, o Índice de Inflação ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) atingiu 3,2% ano contra ano em maio, em linha com o esperado, mas trouxe surpresa altista relevante na medida de núcleo, que veio em 2,55%.
Ainda na Europa, também tivemos a revisão do PIB do 1º trimestre, que passou de 0,1% tri contra tri para -0,2% na mesma comparação, basicamente por conta de uma leitura pior na Irlanda. Excluindo esse país, o crescimento segue mostrando alguma resiliência, em +0,2% t/t. À frente, esperamos desaceleração, refletindo uma piora que já temos observado em dados de confiança (o Índice de Gerentes de Compras [PMI, na sigla em inglês], também divulgado nesta semana, reforça essa visão).
Em relação à política monetária, o mercado já precifica alta de juros na Zona do Euro. A maior pressão inflacionária reforça a possibilidade de mais de uma alta no ano, a depender da evolução do cenário e da persistência inflacionária.
Brasil: produção industrial mais forte em abril
Na agenda doméstica, o destaque ficou por conta da divulgação da produção industrial de abril, que surpreendeu para cima, ao mostrar alta de 0,7% mês contra mês, com forte alta da indústria extrativa (3,1% m/m), enquanto a manufatura cresceu 0,3% m/m. Ainda não temos muitos dados de atividade econômica referentes ao 2º trimestre do ano, mas o conjunto de indicadores disponíveis aponta para um crescimento sólido nesse período. Voltaremos a falar sobre os dados de atividade no Brasil conforme eles sejam divulgados ao longo das próximas semanas.
Global: discussão sobre tarifas e sem avanços nas negociações no Oriente Médio
A semana também foi marcada por discussões sobre tarifas por parte dos EUA. O U.S. Trade Representative (USTR) publicou relatório recomendando tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, com exceções relacionadas à segurança nacional (carne bovina, aeronaves e outros produtos já excepcionados na sobretaxa do ano passado). O prazo final para decisão a respeito da implementação é 15 de julho.
Além disso, o USTR recomendou tarifas de 10% sobre importações de países que importam produtos feitos com evidência de trabalho forçado (Canadá, México, União Europeia) e de 12,5% para países considerados piores no combate à prática, uma lista que inclui China, Japão, Coreia, Brasil, Índia e Suíça. A implementação dessas tarifas não é imediata e depende de um período de consulta pública (que termina em 6 de julho) e de audiências públicas subsequentes.
Em relação ao conflito no Oriente Médio, encerramos mais uma semana sem avanços relevantes nas negociações. As notícias foram díspares ao longo dos últimos dias, com algumas delas alimentando expectativas por um acordo entre EUA e Irã e negociações de cessar-fogo entre o Líbano e Israel, mas com alguma intensificação de ataques pontuais na região.
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