O que as eleições americanas significam para os mercados e para a economia?

Market Update: Confira os destaques discutidos em nosso evento mensal, em que especialistas exploraram as perspectivas para a economia americana frente às eleições de 2024

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Créditos: Itaú Private Bank

Aconteceu na quarta-feira, 10, mais uma edição do bate-papo mensal Market Update. Participaram da conversa Niraj Patel, Chief Equities Strategist do Itaú Private Bank Internacional, e Paresh Upadhyaya, Senior Vice President and Director of Fixed Income and Currency Strategies da Amundi Asset Management. A moderação foi de Marcelo Aagesen, Head of Global Markets and Strategy.

Durante a discussão, foi feita uma análise sobre os possíveis desdobramentos do resultado das eleições americanas que acontecem neste ano, além dos desafios do próximo presidente eleito. A disputa será a mesma de 2020, com o ex-presidente Donald Trump, representando o Partido Republicano, concorrendo com o atual líder, Joe Biden, democrata. De acordo com as pesquisas, a corrida eleitoral tem se mostrado bastante acirrada, considerando tanto o voto individual, como as projeções dos colégios eleitorais.

Desafio: cenário fiscal preocupante

De acordo com Paresh, a política fiscal será a problemática mais importante e complicada que ambos os candidatos terão que resolver. Isso porque o déficit orçamentário tem se tornado um problema estrutural nos EUA.

É fato que o próximo governo americano terá que estabilizar o déficit orçamentário. O corte de despesas de governo, ou aumento da arrecadação por meio de uma alta nos impostos são as principais alternativas consideradas.

A seguir, veja em detalhes as agendas propostas por cada candidato para diferentes frentes.

Política fiscal


  • Biden divulgou um plano detalhado, que inclui: extensão dos cortes de impostos para a classe média; aumento de impostos para aqueles que recebem mais de 400 mil dólares; aumento de crédito tributário dos impostos infantis; aumento do imposto de pessoa jurídica; implementação de um acordo internacional para estabelecer um imposto mínimo para pessoa jurídica; aumento do imposto sobre consumo sobre títulos corporativos; aumento da taxação de grandes fortunas; criação de crédito para aqueles que irão comprar seu primeiro imóvel.
  • Trump: extensão indefinida dos cortes tributários; corte dos impostos corporativos; revogação dos créditos verdes; revogação de alguns aspectos do Ato de Redução da Inflação de Biden.

Política Monetária

Marcelo relembra que o Federal Reserve é um órgão independente do governo, no entanto, o candidato eleito traz efeitos na condução da política monetária. Por isso, a mudança na presidência traria uma alteração das perspectivas para o futuro do posicionamento do Banco Central.

O candidato republicano já demonstrou publicamente que não indicaria Jerome Powell, atual presidente do Fed, para outro mandato. Paresh ressalta que Trump possui experiência no setor imobiliário, de modo que possivelmente indicará um representante com uma visão menos restritiva com as taxas de juros. Apesar desse posicionamento ser positivo para o mercado de ações, principalmente nos setores de habitação e construção, seria negativo para o dólar e ao longo prazo aumentaria a inflação.

Política tarifária


  • A política tarifária de Trump apresenta muitos detalhes: estabelecimento de uma tarifa universal de 10% para importados; implementação de tarifas recíprocas; monitoração de qualquer país que possa estar manipulando taxas cambiais, podendo implementar maiores tarifas como punição. Aumentaria muito a receita governamental, no entanto, traria um grande efeito inflacionário.
  • Biden: provavelmente trará menos mudanças tarifárias. Renegociação do NAFTA, além da limitação do acesso da China ao mercado americano.

Potenciais implicações sobre o mercado financeiro


  • Paresh explica que, independentemente do candidato eleito, os juros podem aumentar, e o dólar pode se fortalecer.
  • O mercado de ações, por sua vez, deve reagir diferente aos dois candidatos. Uma vitória republicana pode favorecer o mercado por meio dos cortes tributários. Já com os democratas no poder, o mercado pode ficar na defensiva frente aos potenciais aumentos nos impostos.

A seguir, confira o vídeo na íntegra:


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