Focus: projeções de inflação sobem ainda mais
No Radar do Mercado: pela quarta semana consecutiva, expectativa do IPCA de 2026 subiu, se aproximando do teto da meta. Nos EUA, Payroll mostra mercado de trabalho resiliente
Por Carolina Sato e Victor Camacho
Após mais uma semana de conflito no Oriente Médio e pressão sobre o preço do petróleo, o Banco Central divulgou nesta segunda-feira, 6, mais uma edição do Relatório Focus, com revisões nas projeções do mercado para a inflação deste e dos próximos anos.
Para 2026, a mediana das projeções do mercado subiu pela quarta semana consecutiva, agora de 4,31% para 4,36%. No entanto, considerando apenas as estimativas atualizadas pelos respondentes da pesquisa nos últimos cinco dias, a medida passou de 4,47% para 4,50%, atingindo o limite superior do intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual ao redor da meta de 3,0% ao ano definido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
Além disso, para 2027, a projeção da inflação oscilou para cima, de 3,84% para 3,85%, enquanto a de 2028 subiu de 3,57% para 3,60%. Já a expectativa para a inflação 12 meses à frente, um indicador importante para a tomada de decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, caiu de 4,10% para 4,09%, chegando a 4,16% entre os respondentes que atualizaram suas previsões nos últimos cinco dias.
Apesar das revisões de inflação, as estimativas de câmbio, PIB e Selic se mantiveram estáveis em todo o horizonte relevante. O câmbio esperado para este ano se manteve em R$/US$ 5,40, enquanto para 2027 continuou em R$/US$ 5,45 e para 2028, R$/US$ 5,50. As expectativas para a Selic, por sua vez, se mantiveram em 12,50% para 2026, 10,50% para 2027 e 10,00% para 2028. Já em relação ao PIB, a expectativa continua de crescimento de 1,85%, 1,80% e 2,00% em 2026, 2027 e 2028, respectivamente.
Payroll indica mercado de trabalho resiliente nos EUA
Na última sexta-feira, 3, o Departamento de Trabalho dos EUA divulgou os dados do mercado de trabalho americano referentes ao mês de março. O relatório de folha de pagamentos, Payroll, surpreendeu as expectativas ao apontar a criação de 178 mil vagas de trabalho, enquanto a taxa de desemprego recuou 0,1 ponto percentual, para 4,3%. Vale destacar, porém, a elevada volatilidade dos dados nos últimos meses, além das revisões relevantes, em contexto de taxa de respondentes historicamente baixa.
Como o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) possui dois mandatos (estimular o pleno emprego e atingir a meta de inflação), a indicação de um mercado de trabalho ainda resiliente reforça que, no curto prazo, o foco do Fed deve se concentrar mais no mandato de inflação, em meio a riscos relacionados à alta dos preços de energia. Esse ambiente é desfavorável a um eventual fechamento dos juros americanos, em linha, portanto, com nossa posição menos alocada em títulos do Tesouro de prazo mais longo.
💬 O que achou deste conteúdo?
Confira os artigos mais recentes
Conflito no Oriente Médio: quando não existe saída perfeita
No Radar do Mercado: nesta edição especial, confira a análise do estrategista-chefe d [...]
Setor de serviços puxa criação de vagas de trabalho em março
No Radar do Mercado: dados do Caged e da Pnad são compatíveis com mercado de trabalho [...]
Focus: projeções de inflação sobem novamente e se aproximam do teto da meta
No Radar do Mercado: pela terceira semana consecutiva, expectativa de inflação de 202 [...]