Focus: projeções de inflação sobem novamente e se aproximam do teto da meta
No Radar do Mercado: pela terceira semana consecutiva, expectativa de inflação de 2026 subiu. Confira também um resumo da revisão de cenário do Itaú BBA
Por Carolina Sato, estrategista de investimentos
Em meio ao conflito no Oriente Médio, que vem pressionando o preço do petróleo, o Banco Central divulgou na manhã desta segunda-feira, 30, uma nova edição do Relatório Focus, com revisões do mercado, sobretudo, para as projeções de inflação em todos os horizontes.
Para este ano, a mediana das projeções do mercado subiu pela terceira vez consecutiva, agora de 4,17% para 4,31%. Mas considerando apenas as estimativas atualizadas pelos respondentes da pesquisa nos últimos cinco dias úteis, a medida passou de 4,21% para 4,47%, ou seja, apenas 0,03 ponto percentual abaixo do limite superior do intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual ao redor da meta de 3,0% ao ano definida pelo Conselho Monetário Nacional.
Além disso, para 2027, a projeção mediana da inflação subiu de 3,80% para 3,84% e, para 2028, de 3,52% para 3,57%. Já a projeção 12 meses à frente, um indicador importante para a tomada de decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, o IPCA esperado subiu de 4,07% para 4,10%, chegando a 4,17% entre os respondentes que atualizaram suas previsões nos últimos cinco dias.
Apesar das revisões na inflação, tanto as estimativas do câmbio quanto da Selic, se mantiveram estáveis para este e os próximos dois anos. O câmbio esperado para 2026 é de R$/US$ 5,40, para 2027, de R$/US$ 5,45, e para 2028, de R$/US$ 5,50. Já as projeções para a Selic se mantiveram em 12,50%, 10,50% e 10,00% ao ano, respectivamente.
Por fim, em relação ao PIB, houve uma oscilação para cima na mediana das projeções para este ano, de 1,84% para 1,85%. Para 2026 e 2027, porém, as estimativas se mantiveram em 1,80% e 2,00%.
Abaixo, confira também um resumo da revisão de cenário local e internacional da equipe de macroeconomia do Itaú BBA.
Revisão de Cenário do Itaú BBA - Local
A equipe de macroeconomia do Itaú BBA divulgou nesta segunda-feira, 30, uma revisão de suas projeções econômicas para o Brasil e o mundo. Entre os destaques, a equipe entende que, apesar de o cenário externo ter se tornado mais incerto diante do conflito no Oriente Médio, o real tem se mostrado resiliente, apoiado pela melhora nos termos de troca e pelo diferencial de juros elevado. Com isso, o BBA manteve sua projeção para a taxa de câmbio de 2026 em R$/US$ 5,40 e de R$/US$ 5,60 em 2027.
As projeções do Itaú BBA para o PIB também foram mantidas em 1,9% em 2026 e 1,7% em 2027, mas reduzindo o viés de alta que havia para 2026 diante de uma eventual desaceleração global mais intensa do que o esperado como resultado do conflito. No mercado de trabalho, por sua vez, a equipe manteve as estimativas da taxa de desemprego de 2026 em 5,7%, e de 2027 em 6,0%.
Já para a inflação, o Itaú BBA revisou sua projeção de 3,8% para 4,5% em 2026, no limite da banda superior do intervalo de tolerância da meta, refletindo as últimas leituras mais pressionadas e um aumento de combustíveis diante de um preço de equilíbrio do petróleo mais alto mesmo com uma resolução do conflito nos próximos meses. Para 2027, a projeção também foi revisada para cima, de 3,9% para 4,1%, incorporando uma maior inércia inflacionária.
Diante disso, a equipe de macroeconomia do Itaú BBA também revisou sua projeção para a taxa Selic de 12,25% para 13,00% ao ano no final deste ano, esperando, portanto, menos cortes de juros na taxa que atualmente se encontra em 14,75% a.a.
Revisão de Cenário do Itaú BBA - Internacional
Na revisão de cenário global, os impactos do conflito no Oriente Médio predominam, com o preço do barril de petróleo projetado pelo BBA em abril em US$ 125, seguido por uma queda para US$ 75, considerando uma resolução do conflito no fim de abril e normalização no início de maio. No entanto, até lá, a equipe destaca que o caminho pode ser ruidoso.
Com risco inflacionário e atividade resiliente, o Itaú BBA enxerga maior necessidade de cautela por parte do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) à frente e passou a projetar que não haverá cortes de juros nos EUA neste ano. Antes, a expectativa era de dois cortes. Além disso, a equipe enxerga o risco de um cenário de alta de juros a depender de o preço do petróleo ficar permanentemente em nível mais elevado e de possível contágio para expectativas.
Na Europa, o time de macroeconomia do Itaú BBA seguiu projetando juros parados em 2,0% ao ano, condicionado a um término rápido do conflito. Com relação ao crescimento, o BBA revisou a projeção de PIB da região de 1,2% para 0,9%, dada a dependência relevante da região da importação de energia. E, para o euro, projetaram uma taxa de câmbio mais depreciada, de 1,15 euro por dólar vs. 1,18, anteriormente, considerando que o conflito aumenta a aversão ao risco e fortalece o dólar globalmente.
Na China, a projeção para o PIB foi revisada de 5,0% anteriormente para 4,7% agora, diante do anúncio de uma meta de crescimento por parte do governo “entre 4,5% e 5,0%”. Por ora, o time do BBA não enxerga necessidade de estímulos adicionais para alcançar esse crescimento, mas uma possível desaceleração na atividade global exigiria maior suporte para a demanda doméstica.
Por fim, na América Latina, o cenário da equipe do Itaú BBA prevê trajetórias divergentes em meio à reintensificação da inflação e da postura mais cautelosa necessária por parte das respectivas autoridades monetárias. Na Colômbia, a expectativa é de PIB de 2,3% e taxa de juros de 12% ao final deste ano. No Peru, ligeiramente acima de 3,0% e 4,25%, respectivamente. Na Argentina, 3,5% e 30,0%. No Chile, 2,1% e 4,50%. E no México, 1,5% e 6,5%.
Confira também o resumo feito pelo economista Pedro Renault no podcast Itaú Views Morning Call desta segunda-feira:
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