Focus: mercado revisa PIB e expectativa da inflação deste ano para baixo
No Radar do Mercado: às vésperas de mais uma reunião do Copom, Relatório Focus traz revisões baixistas tanto para o PIB quanto para o IPCA deste ano. Expectativas para a taxa Selic seguem inalteradas
Por Carolina Sato
O Banco Central divulgou, nesta segunda-feira (14), uma nova edição do Relatório Focus, atualizando as previsões do mercado para o IPCA, o PIB, o câmbio e a Selic. O destaque ficou para o novo recuo da projeção de inflação de 2026, contrastando com o avanço das expectativas para os próximos 12 meses. Ao mesmo tempo, o PIB foi revisado para baixo, enquanto a Selic permaneceu inalterada.
Começando pela inflação, a mediana das projeções para o IPCA de 2026 recuou de 5,00% para 4,90%. O patamar se aproxima, mas segue acima do limite superior do intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual ao redor da meta central de 3,0%.
Já a projeção para 12 meses à frente foi na direção contrária e avançou, de 4,60% para 4,65%. Para 2027, a expectativa subiu marginalmente de 4,29% para 4,30%, enquanto para 2028 permaneceu estável em 3,80%.
Em relação ao PIB, a projeção para 2026 recuou de 1,93% para 1,89%. Para 2027, a estimativa caiu de 1,50% para 1,45%, e para 2028 passou de 1,96% para 1,87%.
Na parte do câmbio, a projeção para 2026 permaneceu em R$/US$ 5,20, enquanto para 2027 recuou de R$/US$ 5,30 para R$/US$ 5,28, com 2028 estável em R$/US$ 5,30.
Em relação à Selic, as expectativas seguiram estáveis em 13,75% para 2026, 12,00% para 2027 e 10,50% para 2028. Segundo o levantamento, os analistas esperam mais um corte de 25 pontos-base na reunião desta quarta-feira (16), seguido por manutenção ao longo das próximas reuniões de 2026.
Visão de Investimentos: as expectativas de inflação para horizontes mais longos continuam desancoradas, acima da meta, o que deve manter a política monetária cautelosa. Por outro lado, uma desaceleração da atividade econômica poderia abrir mais espaço para cortes de juros à frente. Por ora, seguimos com nossas recomendações neutras para os ativos domésticos, atentos à evolução do cenário macro e prontos para revisitar nossas posições conforme o balanço de riscos evolua.
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