Focus: poucas alterações; PIB surpreende na Zona do Euro

No Radar do Mercado: edição do Focus trouxe poucas alterações; ainda hoje, houve divulgação de dados do mercado de trabalho no Brasil, PIB e inflação na Zona do Euro e PMIs na China

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Itaú Private Bank

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Relatório Focus: poucas alterações

O Banco Central divulgou hoje mais uma edição do Relatório Focus. De maneira geral, os indicadores se mantiveram estáveis para 2024 e 2025. Houve alta apenas na expectativa para a taxa Selic de 2026.

Na comparação com a semana anterior, a mediana das estimativas do IPCA registrou estabilidade para 2024, em 3,73%, para 2025, em 3,60% e para 2026, em 3,50%. Vale lembrar que a meta do Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Com relação à atividade econômica, as estimativas para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) permaneceram estáveis para 2024 (em 2,02%), 2025 e 2026 (em 2,0% para ambos os anos).

No âmbito da política monetária, as projeções para a taxa Selic permaneceram inalteradas para 2024 (em 9,50%) e para 2025 (em 9,00%). Já para 2026, houve uma alta, para 8,63%.

Por fim, a estimativa para a taxa de câmbio se manteve estável em todo o período analisado, para 2024 (a R$/US$ 5,00), para 2025 (a R$/US$ 5,05) e para 2026 (a R$/US$ 5,10).

Mercado de trabalho brasileiro segue apertado em março

A taxa de desemprego do trimestre encerrado em março foi de 7,9%, segundo dados divulgados pela Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua). O resultado veio ligeiramente abaixo das expectativas do mercado (em 8,1%). Com ajuste sazonal, a taxa de desemprego caiu para 7,6% no trimestre encerrado em fevereiro.

A queda foi resultado do aumento do emprego na comparação com o mês anterior. A taxa de participação registrou alta, para 62,2%. Além disso, a massa salarial real efetiva avançou 0,3% no mês, impulsionada pela expansão do emprego, que mais do que compensou a redução dos salários.

Também divulgada hoje, a criação de vagas formais de trabalho do CAGED atingiu 244 mil em março, acima do esperado.

Nossa visão: de maneira geral, os dados atuais corroboram nossa visão de um mercado de trabalho apertado, o que deve sustentar salários em patamar elevado.

Dados de atividade mistos na China

Os índices de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) da China vieram ligeiramente acima do esperado em abril. Segundo dados do Escritório Nacional de Estatísticas (NBS, na sigla em inglês), a manufatura chinesa recuou para 50,3 pontos. Apesar da queda, a leitura veio acima do esperado, e o patamar acima de 50 indica que a atividade segue em nível expansionista. Já o PMI de manufatura publicado pela Caixin, pesquisa privada chinesa, registrou alta (agora, em 51,4), também acima das expectativas.

Ao analisar os componentes do índice da NBS, o destaque ficou com a produção, que teve alta significativa. Enquanto isso, as novas encomendas diminuíram, tanto no âmbito doméstico quanto nas exportações. O setor exportador parece apoiar uma atividade industrial sólida, com o componente de pedidos de exportação do PMI industrial Caixin registrando o quinto aumento mensal consecutivo.

Por fim, o PMI não-manufatureiro recuou para 51,2, com os serviços registrando queda significativa, para 50,3. Além disso, o setor de construção permaneceu estável, enquanto a siderurgia registrou melhora.

PIB sobe mais do que o esperado na Zona do Euro

O Produto Interno Bruto (PIB) da Zona do Euro, surpreendeu positivamente, avançando 0,3% no primeiro trimestre, de acordo com o escritório de estatísticas da União Europeia (Eurostat). O resultado veio acima das expectativas e consolida uma melhora da atividade econômica na margem.

Vale lembrar que a leitura inicial não traz detalhamentos sobre a composição do PIB. A análise completa acontecerá apenas em junho.

Hoje também houve a divulgação do índice de inflação ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) da Zona do Euro teve alta de 2,4% em abril, na comparação anual. O indicador manteve o ritmo do mês anterior e veio em linha com as expectativas.

O núcleo, que exclui os componentes mais voláteis, recuou para 2,7%, abaixo do esperado. O destaque ficou para o setor de serviços, que registrou desaceleração, mas segue em nível historicamente elevado. A parte de bens, por sua vez, continuou em queda, contribuindo para a desinflação do núcleo do indicador.

Nossa visão: a leitura de desinflação adiciona confiança ao Banco Central Europeu quanto à convergência da inflação à meta, que deve iniciar o ciclo de cortes de juros em sua reunião de junho.

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