IPCA registra deflação em agosto, mas menor do que a esperada

No Radar do Mercado: Brasil registrou deflação em agosto, mas núcleos de serviços e industriais subjacentes ainda preocupam. Nos EUA e na China, dados de inflação também surpreenderam

Por Itaú Private Bank

3 minutos de leitura
Gráfico com os últimos resultados do IPCA
Fonte: IBGE e Itaú Private Bank

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou deflação de 0,11% em agosto, bem abaixo da alta registrada em julho (0,26%), mas acima da mediana das expectativas do mercado (-0,15%), segundo dados divulgados pelo IBGE nesta quarta-feira, 10. Em 12 meses, o IPCA passou a acumular alta de 5,1%, frente aos 5,2% acumulados nos 12 meses imediatamente anteriores.

Dos nove grupos pesquisados, cinco registraram recuo. O grupo “Habitação” (-0,90% e -0,14 p.p.) foi quem apresentou o maior impacto baixista no índice cheio, influenciado pela redução no custo da energia elétrica residencial, que recuou 4,21% no mês, em decorrência da incorporação do Bônus de Itaipu. Os grupos “Alimentação e bebidas” (-0,46% -0,10 p.p.) e “Transportes” (-0,27% e -0,06 p.p.) também tiveram impactos negativos relevantes. Pelo lado das altas, destacam-se os grupos “Educação” (0,75% e 0,05 p.p.), “Saúde e cuidados pessoais” (0,54% e 0,07 p.p.) e “Vestuário” (0,72% e 0,03 p.p.).

Nossa visão: além da surpresa altista no índice cheio, ainda vemos pressão inflacionária nas medidas de núcleo. Na média móvel trimestral, com dados dessazonalizados e anualizados, os serviços subjacentes desaceleraram de 6,1% para 6,0%, influenciado em grande medida pelos descontos da “Semana do Cinema”, que devem ser revertidos já na próxima medição, enquanto o núcleo de industriais subjacentes acelerou de 2,0% para 3,1%. Na mesma métrica, a média dos núcleos acelerou de 4,2% para 4,5%.

Inflação ao produtor dos EUA surpreende e registra deflação em agosto

O Índice de Preços ao Produtor (PPI) de julho nos EUA foi divulgado hoje, com o núcleo do indicador, que exclui energia e alimentação, registrando deflação de 0,1% em agosto ante alta de 0,7% em julho. O resultado veio bem abaixo das expectativas do mercado, que eram de alta de 0,3% na passagem mensal. No acumulado em 12 meses, o núcleo do PPI desacelerou de 3,4% em julho para 2,8% em agosto, também abaixo das expectativas (3,5%).

Já o índice cheio apresentou queda de 0,1% em agosto, ante alta de 0,7% no mês anterior, desacelerando de 3,1% para 2,6% na base anual, abaixo da projeção de mercado (3,3%).

Nossa visão: o resultado do PPI de agosto trouxe uma desaceleração relevante dos preços aos produtores nos EUA, tanto no núcleo quanto no índice cheio. Agora as atenções se voltam ao Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de agosto, que será divulgado amanhã, e pode dar mais informações quanto ao repasse de tarifas à inflação ao consumidor. O mercado precifica corte de juros por parte do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) já na reunião da próxima semana. A quantidade e intensidade dos cortes de juros ainda dependerão da divulgação de novos dados.

Inflação ao consumidor e ao produtor na China seguem recuando

Segundo dados divulgados pelo Escritório Nacional de Estatísticas da China, o Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) recuou 0,4% em agosto na comparação anual, abaixo do resultado de julho, quando o indicador se manteve estável, e abaixo das expectativas de mercado, que apontavam queda de apenas 0,2%.

Já o núcleo do CPI, que exclui os preços mais voláteis de alimentos e combustíveis, por sua vez, acelerou de 0,8% para 0,9% na passagem mensal da comparação anual, sugerindo alguma resiliência nos preços de serviços e bens duráveis.

Na outra ponta, o Índice de Preços ao Produtor (PPI, na sigla em inglês) registrou queda de 2,9% em agosto na comparação anual, um pouco acima do número registrado em julho, de -3,6%. O resultado pode ter sido influenciado pela implementação de políticas que buscam rebalancear a oferta no setor industrial em relação à fraca demanda doméstica chinesa. Contudo, ainda há desafios para tirar a China de um ambiente deflacionário.

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