Payroll: criação de vagas de trabalho desacelera nos EUA

No Radar do Mercado: dados de junho interrompem sequência de leituras mais fortes e sugerem um mercado de trabalho americano mais próximo do equilíbrio

Por Victor Camacho

2 minutos de leitura

O Departamento de Trabalho dos EUA divulgou na manhã desta quinta-feira (2/7) o relatório de folha de pagamentos, Payroll, de junho, indicando a criação de 57 mil vagas nos EUA no mês, desacelerando em relação ao mês anterior. Destas, 49 mil vagas foram do setor privado.

Também houve uma revisão baixista de 74 mil vagas no acumulado dos dois meses anteriores, sendo 31 mil vagas a menos em abril e 43 mil a menos em maio em relação ao que foi divulgado anteriormente.

Gráfico de barras referente  ao Payroll de Junho de 2026
Fonte: Departamento de Trabalho dos EUA e Itaú Private Bank

Quanto à composição, o setor de “Lazer e hospitalidade” teve recuo expressivo, em movimento que parece refletir uma devolução após leitura forte no último mês, enquanto “Serviços profissionais e empresariais” mostrou alta importante, e “Saúde e Assistência Social” seguiu com geração robusta.

Já a Pesquisa Familiar também divulgada hoje indicou que a taxa de desemprego recuou de 4,3% para 4,2%. Nessa pesquisa, apesar do saldo negativo na geração de vagas no mês, o recuo da taxa de participação para 61,5% compensou, resultando em queda da taxa de desemprego. Enquanto isso, nos salários, a leitura segue firme, em torno de 3,5% na comparação anual.

De forma geral, os dados de emprego de junho apresentam uma leitura mista, mas que quebra a sequência de números muito fortes registrada até então, sugerindo um mercado de trabalho mais próximo do equilíbrio.

Para o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), o relatório reduz o risco de um cenário de reaceleração mais forte do mercado de trabalho, mas, por si só, não altera o cenário de juros, que parece mais dependente das próximas leituras de inflação.

Para mercados, o dado tende a oferecer algum alívio sobre curva de juros e o dólar, já que modera, na margem, o argumento para a urgência de uma política mais restritiva por parte do Fed.

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