Núcleo do PCE mostra inflação moderada nos EUA no início do quarto trimestre

No Radar do Mercado: dados indicam inflação moderada em outubro e novembro, mas expectativa é de reaceleração em dezembro. Declarações sobre a Groenlândia e sinais da Suprema Corte reduzem percepção de risco sobre os EUA

Por Itaú Private Bank

5 minutos de leitura

Núcleo do PCE mostra inflação moderada nos EUA em outubro e novembro

Gráfico com a variação mensal e o acumulado em 12 meses dos últimos 14 meses do núcleo do PCE dos EUA

O Escritório de Análise Econômica (BEA, na sigla em inglês) dos EUA divulgou nesta quinta-feira, 22, os dados do Índice de Preços das Despesas de Consumo Pessoal (PCE, na sigla em inglês) dos meses de outubro e novembro de 2025, recuperando o atraso que havia no indicador por conta do shutdown que paralisou a administração dos EUA no ano passado.

Em outubro, o núcleo do PCE, que exclui os componentes mais voláteis, como energia e alimentos, cresceu 0,2%, mantendo o ritmo em relação a setembro e em linha com a expectativa do mercado. Já em novembro, o núcleo também cresceu 0,2%, levemente acima das expectativas de 0,16%.

O indicador “cheio” do PCE, por sua vez, também registrou alta de 0,2% em outubro frente a setembro e de 0,2% em novembro frente a outubro. Na base anual, o indicador registrou alta de 2,7% e de 2,8% nos 12 meses terminados em outubro e novembro, respectivamente, tanto do índice cheio quanto do núcleo.

O BEA também informou que os gastos pessoais dos consumidores americanos subiram 0,5% tanto em outubro quanto em novembro, em linha com as expectativas. Já na parte de renda pessoal, o índice subiu 0,1% em outubro e 0,3% em novembro.

Visão de Investimentos: os dados do PCE de outubro e novembro mostraram um crescimento moderado da inflação no início do quarto trimestre do ano nos EUA, mas estão relativamente defasados, além de já ser esperada alguma reaceleração da inflação em dezembro, uma vez que os dados já divulgados do CPI de dezembro atualizaram as estimativas para o núcleo do PCE de dezembro para cima.

Dessa forma, a divulgação de hoje deve ter pouco impacto sobre a decisão do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) na próxima quarta-feira, 28. Os membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) já indicaram uma barra mais alta para continuar cortando juros nas primeiras reuniões deste ano e nossa expectativa continua sendo de que novos cortes de juros só devem voltar a ocorrer nos EUA mais à frente, potencialmente apenas após a troca de comando da autoridade monetária. Diante disso, nossa visão para as alocações recomendadas na nossa carteira internacional segue inalterada.

Declaração sobre a Groenlândia e sinais da Suprema Corte diminuem percepção de risco sobre os EUA

O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou nesta quarta-feira, durante o Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, que não considera uma opção tomar a Groenlândia à força. Depois disso, nas redes sociais, Trump também retirou a ameaça de impor tarifas de 10% sobre as importações de oito países europeus que se posicionaram contra a vontade americana de assumir o controle do território dinamarquês. A decisão ocorreu após, segundo ele, ter feito uma reunião “muito boa” com o secretário-geral da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), Mark Rutte.

Segundo Trump, nesta reunião, os EUA e a Otan estabeleceram a estrutura de um futuro acordo envolvendo a Groenlândia e, de forma mais ampla, a região do Ártico. Segundo o noticiário, esse acordo supostamente envolveria a concessão por parte da Dinamarca de pequenas localidades da Groenlândia, nas quais os EUA poderiam, por exemplo, instalar bases militares. Rutte, no entanto, afirmou que o acordo não prevê cessão da soberania da região e, sim, apenas que os membros da Otan poderão intervir no Ártico em caso de ameaças à segurança do local.

De qualquer forma, as declarações serviram para reduzir a percepção de risco em relação aos EUA, ainda que a relação entre os americanos e os europeus, seus aliados históricos, continue estremecida. Além disso, há a interpretação de que a estratégia de Trump de “pedir alto” e negociar um meio termo melhor do que o status quo original funcionou, o que pode dar força para que o presidente americano siga adotando essa postura em outros casos. Há também a visão de que trazer o tema da Groelândia aos holofotes permitiu que o governo americano levasse adiante seus interesses de política externa no Irã e no acordo entre Rússia e Ucrânia sem interferência europeia.

Em paralelo, outro fator que ajudou a reduzir a percepção de risco dos EUA foi a audiência da Suprema Corte americana sobre a tentativa de Trump de demitir a diretora do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) Lisa Cook. O caso ainda não teve uma definição, mas as indicações são de que o tribunal deverá preservar o mandato de Cook, o que foi interpretado pelo mercado como um fortalecimento da independência do Fed em relação ao Executivo e, portanto, da sua capacidade de tomar decisões sem interferência política.

💬 O que achou deste conteúdo?

Leia também

Confira outras edições do No Radar do Mercado:

FMI revisa projeção de crescimento global em 2026 para cima

No Radar do Mercado: novo relatório World Economic Outlook projeta crescimento maior [...]

Focus: queda da inflação de 2025 e alta da Selic em 2028

No Radar do Mercado: Relatório Focus trouxe mudanças nas projeções do mercado para o [...]

IBC-Br surpreende positivamente, mas quadro da atividade ainda é misto

No Radar do Mercado: Índice de Atividade Econômica medido pelo Banco Central cresce a [...]