PIB do Brasil desacelera em 2025

No Radar do Mercado: PIB do Brasil perde fôlego na reta final do ano e cresce menos do que em 2024. Na Europa, inflação de fevereiro vem acima do esperado pelo mercado

Por Itaú Private Bank

4 minutos de leitura

PIB do Brasil cresce 2,3% em 2025, abaixo dos 3,4% de 2024

Gráfico de barras com a variação de trimestre contra mesmo trimestre do ano anterior do PIB do Brasil desde o segundo trimestre de 2023 até o quatro trimestre de 2025
Fonte: IBGE e Itaú Private Bank

O PIB brasileiro cresceu 0,1% no quarto trimestre de 2025, um pouco acima do ritmo registrado no trimestre anterior (0,0%), segundo dados divulgados nesta terça-feira, 3, pelo IBGE. O resultado veio relativamente em linha com o 0,2% esperado pelo mercado. Em relação ao mesmo período de 2024, o PIB cresceu 1,8% no quarto trimestre, no mesmo ritmo do trimestre anterior (1,8%) e em linha com as expectativas (1,8%). Com isso, em 2025, o PIB do Brasil cresceu 2,3%, conforme era esperado pelo mercado, desacelerando em relação ano anterior, quando a economia brasileira expandiu 3,4%.

Do lado da oferta, o setor de serviços, que tem mais peso na economia, apresentou crescimento de 0,8% no quarto trimestre frente ao anterior e registrou crescimento de 1,8% no ano. Já a indústria caiu 0,7% na comparação trimestral e teve crescimento de 1,4% em 2025. A agropecuária, por sua vez, cresceu 0,5% no quatro trimestre em relação ao terceiro e 11,7% no ano.

Do lado da demanda, o consumo das famílias registrou estabilidade na passagem trimestral e crescimento de 1,3% em 2025. Enquanto isso, o consumo do governo cresceu 0,6% no quarto trimestre e expansão de 2,1% no ano. Já a formação bruta de capital fixo, métrica de investimentos ligados à produção, caiu 3,5% no trimestre e cresceu 2,9% em 2025.

Visão de Investimentos: o resultado de hoje reforça nossa leitura de desaceleração gradual da economia, com estabilidade no crescimento no segundo semestre de 2025, especialmente com números mais fracos de consumo das famílias, refletindo um menor impulso fiscal e uma política monetária contracionista.

Com essa desaceleração da atividade, somada à convergência gradual da inflação e das expectativas de inflação em direção à meta, acreditamos que o Copom iniciará o ciclo de cortes nos juros na sua próxima reunião, daqui a duas semanas. As incertezas, contudo, aumentaram em decorrência do conflito no Oriente Médio, com impactos no preço do petróleo e no câmbio. A iminência do início do ciclo de corte de juros, porém, está alinhada com a nossa visão otimista para a bolsa brasileira e, na renda fixa, para os títulos de juros reais.

CPI da Zona do Euro acelera em fevereiro

O Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) da Zona do Euro superou as expectativas ao avançar 0,7% em fevereiro, revertendo a queda de 0,6% vista em janeiro. Na comparação anual, a alta foi de 1,9%, acima da expectativa e da leitura anterior, ambas em 1,7%.

Já o núcleo do CPI, que desconsidera itens mais voláteis, como alimentos e energia, registrou alta de 0,8% no mês, após recuo de 1,1% em janeiro. No comparativo anual, a alta foi de 2,4%, acima das expectativas do mercado e do ritmo registrado no mês anterior, ambos de 2,2%.

Visão de Investimentos: apesar da aceleração acima do previsto no resultado divulgado hoje, a inflação da Zona do Euro permanece abaixo dos 2,0%, a meta a ser cumprida pelo Banco Central Europeu (BCE). No entanto, os europeus estão em uma posição delicada em relação ao conflito no Oriente Médio, já que são grandes compradores, sobretudo, do gás natural produzido na região. Nesse caso, se o conflito perdurar ou se intensificar, a região pode sofrer impactos inflacionários por conta do preço da energia.

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