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PIB do Brasil e Payroll americano acima do esperado

No Radar do Mercado: o PIB brasileiro cresceu 0,9% no segundo trimestre; nos EUA, o Payroll apontou a criação de 187 mil vagas de trabalho em agosto

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Crédito: Getty Images

PIB brasileiro avança acima do esperado no segundo trimestre

No segundo trimestre de 2023, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,9% em relação ao trimestre anterior, bem acima das expectativas (0,3%). Frente ao mesmo trimestre de 2022, o crescimento foi de 3,4%, também surpreendendo o mercado, que esperava uma alta de 2,7%.

Pelo lado da oferta, a agricultura registrou uma queda no trimestre, enquanto o setor de serviços expandiu. Por sua vez, a indústria cresceu com a forte contribuição do setor extrativo.

Do lado da demanda, o destaque ficou para a aceleração do consumo das famílias. O consumo do governo também avançou. A formação bruta de capital fixo ficou praticamente estável, após recuar no primeiro trimestre. O setor externo contribuiu negativamente, com as importações crescendo em ritmo mais forte do que as exportações.

De maneira geral, o PIB surpreendeu positivamente. A resiliência do mercado de trabalho e o estímulo fiscal impulsionaram o crescimento do período. Com o resultado de hoje, nossa projeção para o PIB deste ano (que hoje está em 2,5%) deve ser revisada para cima.

Payroll: EUA criam 187 mil vagas em agosto

O Payroll, relatório de folha de pagamentos do Departamento do Trabalho dos EUA, indicou a criação de 187 mil vagas em agosto. O resultado veio acima das expectativas do mercado (170 mil) e mostrou uma aceleração do ritmo identificado no mês anterior (que foi revisado para baixo na leitura de hoje, agora em 157 mil).

A taxa de desemprego subiu para 3,8% com a elevação da taxa de participação, para 62,8%. Ambos os resultados vieram acima do esperado pelo mercado, que era de uma manutenção do patamar anterior. Os ganhos salariais por hora trabalhada subiram 0,2%, para 33,82 dólares. Nos últimos 12 meses, houve alta de 4,3%. Ambos ficaram levemente abaixo da leitura de julho.

Em geral, o mercado de trabalho americano continua sólido, mas possivelmente mostrando alguns sinais de desaceleração, o que pode aumentar as apostas do mercado de que o Federal Reserve (Fed, banco central americano) não suba os juros nas próximas reuniões.

China anuncia medidas para estimular setor imobiliário

O Banco Central da China (PBoC, na sigla em inglês) anunciou medidas nacionais para o setor imobiliário (que enfrenta sinais de extrema fraqueza) pela primeira vez desde 2015. Entre elas, haverá a redução do pagamento inicial mínimo para compras de primeira e segunda casa de 30% e 40%, respetivamente, para 20% e 30%. As taxas de juros de novas hipotecas também serão reduzidas (em 40 pontos-base). Por fim, a partir de 25 de setembro, as taxas de hipotecas existentes para compradores de primeira habitação poderão ser renegociadas ou os empréstimos poderão ser trocados por novos.

As medidas parecem um pouco mais fortes do que esperávamos, mas temos incerteza quanto à sua eficácia, uma vez que a fraqueza na demanda de habitação é estrutural. Além disso, uma possível demanda residual seria apenas nas grandes cidades.

Ainda ontem, o PBoC cortou o compulsório para depósito em moeda estrangeira (RRR, em inglês) em 200 pontos-base, para 4%, em uma tentativa de conter movimentos fortes na moeda. A estimativa é que a medida forneça cerca de 16,4 mil milhões de dólares em divisas e entrará em vigor a partir de 15 de setembro. A última vez que essa taxa foi cortada foi há um ano, na mesma magnitude. No entanto, as medidas só foram eficazes no curto prazo e não reverteram a tendência cambial.

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