PIB do Brasil cresce ligeiramente acima do esperado no segundo trimestre

No Radar do Mercado: economia brasileira desacelera um pouco menos do que o esperado pelo mercado. Na Europa, inflação tem pequena aceleração em agosto, mas ainda em linha com a meta do BCE

Por Itaú Private Bank

3 minutos de leitura
Grafico com os últimos resultados do PIB
IBGE e Itaú Private Bank

O PIB brasileiro cresceu 0,4% no segundo trimestre de 2025 após avanço de 1,3% no primeiro trimestre, segundo dados divulgados nesta terça-feira, 2, pelo IBGE. O resultado veio acima da mediana das expectativas do mercado, que era de 0,3%. Em relação ao mesmo trimestre de 2024, o PIB cresceu 2,2%, marcando a 18ª alta consecutiva nessa base de comparação, mas também desacelerando em relação aos trimestres anteriores.

Do lado da oferta, o setor de serviços foi o principal motor da atividade, crescendo 0,6% no segundo trimestre. Já a indústria avançou 0,5%, com destaque para o salto de 5,4% do setor extrativista, enquanto a agropecuária teve leve queda de 0,1%, após forte crescimento no primeiro trimestre.

Do lado da demanda, o consumo das famílias cresceu 0,5%, desacelerando em relação ao resultado dos primeiros três meses do ano (1%), enquanto o consumo do governo caiu 0,6%. Já os investimentos caíram 2,2%, devolvendo parte da forte alta registrada no primeiro trimestre, puxada pelas plataformas de petróleo. No setor externo, as exportações subiram 0,7% e as importações caíram 2,9%.

Nossa visão: o resultado reforça a leitura de que o crescimento da economia está desacelerando, compatível com os juros elevados, que afeta principalmente setores sensíveis a crédito. Nos próximos trimestres, projetamos que a atividade seguirá em moderação.

Inflação da Zona do Euro apresenta leve aceleração em agosto

O Índice de Inflação ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) da Zona do Euro acelerou para 2,1% em agosto, acelerando em relação ao 2,0% registrados em julho e ligeiramente acima das expectativas do mercado (também de 2,0%), segundo dados preliminares divulgados pelo Instituto de Estatística da União Europeia (Eurostat) nesta terça-feira, 2.

Já o núcleo, que exclui os componentes mais voláteis (como alimentos e energia), se manteve estável na comparação anual, em 2,3%. Na abertura dos dados, observa-se que a alta mensal foi puxada principalmente pelo avanço dos preços de serviços, enquanto bens industriais ficaram praticamente estáveis.

Nossa visão: apesar da leve aceleração no mês, o dado de hoje não muda a avaliação de inflação na meta estabelecida pelo Banco Central Europeu, de 2% ao ano no médio prazo. Desta forma, os próximos passos da autarquia – com relação à continuidade ou não do ciclo de cortes de juros – devem ser calibrados especialmente pela evolução dos dados de atividade.

💬 O que achou deste conteúdo?

Leia também

Confira outras edições do No Radar do Mercado:

França derruba primeiro-ministro e aprofunda impasse político e orçamentário

No Radar do Mercado: presidente Emmanuel Macron deve nomear sucessor “nos próximos di [...]

Inflação nos EUA avança conforme o esperado em julho

No Radar do Mercado: núcleo do PCE, indicador mais olhado pelo Federal Reserve, acele [...]

IPCA-15 registra deflação em agosto; nos EUA, Trump demite diretora do Banco Central

No Radar do Mercado: índice de inflação registra primeira deflação em 2 anos, mas ace [...]