Resumo da semana: payroll mais moderado alivia debate sobre juros nos EUA

No Radar do Mercado: semana foi marcada por uma leitura mais equilibrada do mercado de trabalho nos EUA e pelo alívio vindo da queda do petróleo. No Brasil, desaceleração da atividade conviveu com expectativas de inflação ainda elevadas

Por Victor Camacho

4 minutos de leitura

Payroll reduz pressão sobre o Fed, mas não muda o quadro de cautela

O principal evento da semana foi a divulgação do Payroll de junho nos EUA. A criação de vagas desacelerou para 57 mil, com revisão baixista dos meses anteriores, enquanto a taxa de desemprego ficou em 4,2%. A leitura foi mista, mas ajudou a quebrar a sequência de números muito fortes, sugerindo um mercado de trabalho mais próximo do equilíbrio.

Para o Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA), o dado reduz o peso de um cenário de mercado de trabalho excessivamente forte, mas, isoladamente, não altera o panorama da política monetária. À frente, a atenção deve permanecer nos próximos dados de inflação, além da ata da reunião de junho.

Europa ganha algum alívio com inflação mais comportada

A inflação da Zona do Euro também foi divulgada nesta semana e veio mais comportada, com surpresas baixistas em países importantes e composição melhor em serviços e bens industriais. A queda de energia e alimentos teve papel relevante nesse processo, indicando um ambiente mais favorável para a inflação no curto prazo.

Esse resultado reduz a pressão sobre o Banco Central Europeu (BCE) para entregar nova alta de juros já na reunião de julho, ainda que os passos seguintes sigam em aberto. O debate interno segue dividido entre membros ainda atentos a possíveis efeitos de segunda ordem e outros mais confortáveis com a perda de força da inflação. Em paralelo, dados de atividade e revisões positivas de PMIs ajudaram a afastar o risco de contração no segundo trimestre.

Petróleo mais baixo alivia inflação, mas riscos seguem no radar

O pano de fundo geopolítico seguiu mais construtivo nesta semana. A continuidade da queda dos preços do petróleo ajuda a diminuir a pressão sobre o debate inflacionário, especialmente na Europa e, em menor medida, também nos EUA. Em painel do BCE em Portugal, o novo presidente do Fed, Kevin Warsh, afirmou que os riscos para a inflação diminuíram nas semanas desde que assumiu a presidência.

O noticiário permaneceu volátil, mas o foco migrou de risco de interrupção de oferta para intenção de aumento de produção no curto prazo. Esse movimento melhora a fotografia inflacionária global e reduz um vetor de pressão relevante observado nas semanas anteriores. Ainda assim, a dinâmica ainda não é suficiente para produzir uma mudança mais ampla e coordenada na condução da política monetária global.

No Brasil, produção industrial perde força e atividade mostra composição menos favorável

Na frente de atividade, a produção industrial de maio foi divulgada pelo IBGE nesta semana e veio mais fraca do que o esperado, com contração na margem e devolução parcial do avanço observado em abril. O destaque negativo ficou com a indústria extrativa. Na transformação, o resultado foi levemente positivo. E a abertura setorial mostrou que a perda de força foi espalhada entre diferentes segmentos.

O dado segue compatível com crescimento da indústria no segundo trimestre, mas em ritmo mais moderado. Esse quadro conversa com a percepção de que a economia brasileira segue crescendo, mas sem o mesmo ímpeto sugerido por parte dos dados anteriores.

Criação de emprego formal abaixo do esperado em maio

Ainda nesta semana, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgou que a criação de emprego formal totalizou 73 mil vagas em maio, abaixo do esperado pelo mercado (130 mil). Temos observado desaceleração gradual dos dados, mas ainda é compatível com um mercado de trabalho apertado.

Focus segue pressionado e reforça juros altos por mais tempo

Na segunda-feira (29/6), a nova leitura do Relatório Focus voltou a mostrar pressão nas expectativas de inflação, dessa vez para 2027. Para 2028, a projeção seguiu estável, ainda que acima da meta do Banco Central. O movimento reforça a percepção de maior dificuldade para a convergência das expectativas em direção à meta de inflação (3%).

Também chama atenção a alta das projeções de juros se estendendo aos horizontes mais longos, em linha com uma leitura de política monetária restritiva por período prolongado.

Ao mesmo tempo, o PIB de 2026 voltou a ser revisado ligeiramente para cima, sugerindo que o crescimento segue relativamente firme, mesmo com condições financeiras apertadas.

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