Resumo da Semana: inflação mais benigna nos EUA e geopolítica pressionando o petróleo
No Radar do Mercado: semana foi marcada por inflação mais benigna nos EUA, em contraste com novas tensões no Oriente Médio e sinais de moderação da atividade econômica no Brasil
Por Carolina Sato e Victor Camacho
CPI mais fraco alivia o curto prazo para o Fed
O principal tema da semana no exterior foi a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos EUA referente a junho. O indicador cheio caiu 0,42% no mês, enquanto o núcleo, teve recuo de 0,02%, ambas as leituras abaixo da expectativa do mercado.
A surpresa baixista no núcleo do CPI indica uma projeção mais baixa para o núcleo do PCE, medida acompanhada de perto pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA). Com o ambiente de inflação elevada e o endurecimento de tom por parte da autoridade monetária, a discussão sobre a necessidade de elevar os juros já na próxima reunião, em julho, vinha ganhando corpo. A nova leitura, porém, ofereceu algum alívio e adiou, por ora, esse debate.
Atividade nos EUA segue firme
Se a inflação americana trouxe algum alívio, os dados de atividade continuaram apontando uma economia ainda em expansão. As vendas no varejo avançaram em junho, ainda que em ritmo mais moderado do que no mês anterior. O chamado grupo de controle, categoria mais correlacionada ao componente de consumo no PIB americano, apresentou nova leitura sólida, enquanto a produção industrial mostrou desempenho mais contido na margem. Em conjunto, os dados sugerem que a economia americana continua crescendo sem evidência clara de desaceleração abrupta.
Europa mantém desinflação gradual
Na Zona do Euro, a leitura final da inflação de junho reforçou a narrativa de desinflação em curso, ainda que sem conforto pleno para o Banco Central Europeu (BCE). O Índice Harmonizado de Preços ao Consumidor (HICP, na sigla em inglês) recuou 0,1% no mês e ficou em 2,8% em 12 meses, enquanto o núcleo avançou 0,2% e atingiu 2,4% na mesma base de comparação.
A abertura dos dados não mostra evidências claras de efeitos de segunda ordem decorrentes da alta dos preços de energia, com a inflação subjacente intensiva em energia acompanhada pelo BCE permanecendo comportada. Isso ajuda a consolidar a expectativa de pausa no curto prazo, embora sem abrir espaço para uma comunicação mais acomodatícia.
China desacelera, com sinais mistos no fim do trimestre
Na China, o PIB do segundo trimestre cresceu 4,3% frente ao mesmo período do ano anterior. O dado veio abaixo da expectativa do mercado e do ritmo observado no início do ano, confirmando perda de tração da atividade. O resultado reforça a leitura de uma economia que segue crescendo, mas com dinâmica menos robusta e ainda bastante desigual entre seus diferentes motores.
Já os dados de atividade de junho trouxeram sinais mistos. Houve melhora da produção industrial e recuperação das vendas no varejo, sugerindo algum ganho de fôlego na margem. Por outro lado, o investimento em ativos fixos voltou a enfraquecer, enquanto o setor imobiliário permaneceu bastante fraco.
O conjunto de indicadores aponta para uma economia ainda dependente de exportações e manufatura, com demanda doméstica menos convincente. A melhora pontual no fim do trimestre, ainda que bem-vinda, não altera de forma material a leitura de crescimento mais moderado e heterogêneo.
Petróleo volta ao centro do risco geopolítico
O outro grande tema da semana foi a deterioração do quadro no Oriente Médio. A escalada do conflito entre EUA e Irã voltou a pressionar os preços do petróleo ao mesmo tempo em que o fluxo de energia pelo Estreito de Ormuz voltou a cair.
Esse ponto é particularmente relevante porque a região segue central para a oferta global de energia. Ainda que rotas alternativas tenham ganhado importância, elas não são suficientes para compensar plenamente a redução do tráfego pelo Estreito. Com isso, o risco sobre oferta e logística voltou a pesar mais sobre o balanço do mercado de petróleo no curto prazo.
No Brasil, indicadores de atividade mostram moderação, mas ainda sugerem crescimento sólido
Já na manhã desta sexta-feira (17), o Banco Central divulgou o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) referente a maio, registrando alta de 0,1% na comparação mensal, levemente acima da expectativa do mercado, que projetava estabilidade. Na comparação anual, o indicador avançou 0,8%.
Ainda nesta semana, o IBGE divulgou dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) e da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), com os resultados vindo abaixo do esperado em maio. O volume de serviços recuou 0,4% no mês, após alta de 1,1% em abril. Apesar disso, a composição foi mais favorável para a leitura do PIB do segundo trimestre, com avanço de serviços profissionais e alguma resiliência em serviços prestados às famílias.
No comércio, o varejo restrito mostrou leve alta (0,1%), enquanto o ampliado recuou (-0,2%). A despeito da leitura mais fraca, a composição do indicador não foi tão negativa. Cabe destacar ainda que segmentos mais ligados a crédito avançaram no mês.
A leitura, portanto, é de moderação do crescimento na margem, mas a composição dos indicadores divulgados na semana ainda sugere um crescimento sólido no segundo trimestre do ano.
Focus segue mostrando expectativas de inflação elevadas
Também no Brasil, a nova leitura do Relatório Focus trouxe mudanças marginais nesta semana. Houve novo recuo da projeção de IPCA para 2026, após a divulgação do dado de junho, que surpreendeu para baixo com uma composição melhor. Contudo, a mediana para 2027 continuou subindo e a expectativa para o IPCA 12 meses à frente voltou a subir.
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