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Revisamos nossos cenários macro; IPCA sobe 0,12% em julho

No Radar do Mercado: IPCA voltou a subir em julho, influenciado pela alta da gasolina; divulgamos a revisão de cenário local considerando a desinflação mais alta de bens comercializáveis e corte de juros com atividade resiliente; no cenário global, países desenvolvidos sinalizam fim do aperto monetário

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Crédito: Getty Images

IPCA sobe 0,12% em julho

O IBGE divulgou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de julho, que subiu 0,12% no mês. Os dados vieram um pouco acima da expectativa do mercado (0,08%) e aceleraram em relação ao resultado anterior (-0,08%). O acumulado em 12 meses atingiu 3,99%, acima dos 3,16% registrados no período imediatamente anterior. 

Cinco dos nove grupos de produtos e serviços tiveram alta no mês. O grupo de Transportes foi o que teve o maior impacto no resultado, influenciado pelo aumento nos preços da gasolina, além do término do programa de descontos em automóveis novos. Por outro lado, a leitura se beneficiou das deflações de energia elétrica (desconto em função do Bônus de Itaipu) e de alimentação no domicílio. 

O IPCA-EX3, que reúne componentes da inflação mais sensíveis ao ciclo econômico, desacelerou no mês. O índice de difusão, que mede o percentual de itens com aumento dos preços, também teve uma queda, o que indica que a inflação está menos disseminada na margem.  

O resultado confirmou o processo de desinflação gradual, puxado principalmente por itens comercializáveis (alimentação e industriais), e mostrou uma composição mais benigna, com o componente de serviços e as medidas de núcleo desacelerando. 

Cenário macro Brasil: corte de juros mesmo com atividade resiliente

Revisamos para cima nossa projeção para o PIB de 2023 (para 2,5%), diante dos dados melhores de atividade e da resiliência do mercado de trabalho. Além disso, reduzimos nossa projeção de inflação de 2023 (para 4,9%). A desinflação mais rápida de bens comercializáveis deve ser apenas parcialmente compensada por um reajuste nos preços da gasolina na refinaria. Para 2024, reduzimos nossa projeção para 4,3% incorporando inércia menor, mas o mercado de trabalho apertado deve continuar pressionando a inflação de serviços. 

Acreditamos que o Banco Central continuará flexibilizando a política monetária a um ritmo de 0,50 p.p. por reunião este ano, levando a Selic a 11,75% ao final de 2023. Não descartamos, no entanto, uma aceleração no ritmo dos cortes, especialmente no final do ano.  

Leia o relatório completo.

Cenário macro Global – fim do ciclo de alta de juros

Os bancos centrais de mercados desenvolvidos passaram a adotar uma postura mais branda, sinalizando que estão perto do fim do ciclo de aperto monetário, enquanto bancos centrais de emergentes (até aqui, Brasil e Chile) têm feito cortes mais agressivos nos juros. 

Revisamos para cima as projeções de crescimento do PIB americano em 2023 (para 2,1%) e 2024 (para 0,8%), mas a inflação deve permanecer em queda, abrindo espaço para o Federal Reserve encerrar o ciclo de aperto monetário. Na Europa, entendemos que o Banco Central Europeu (BCE) encerrou o ciclo de alta com a taxa terminal em 3,75%. Além disso, reduzimos nossa projeção para o PIB chinês para 5,1%, com desafios estruturais persistentes no setor imobiliário.  

Leia o relatório completo.

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