Top 10 riscos globais para 2026 (e seus impactos no Brasil)

No Radar do Mercado: relatório da Eurasia lista os principais riscos globais para 2026 e seus possíveis impactos no Brasil

Por Itaú Private Bank

7 minutos de leitura

Nesta segunda-feira, 5, a consultoria Eurasia publicou o seu já tradicional relatório Top Risks de 2026 com o que considera os 10 riscos políticos com maior probabilidade de ocorrer ao longo deste ano.

O grupo considera que 2026 será marcado por grande incerteza geopolítica. A Eurasia não acredita que haja um conflito iminente entre as duas maiores potências, EUA e China, tampouco uma segunda Guerra Fria entre americanos e chineses, e projeta que as tensões entre EUA e Rússia não devem sair do controle. No entanto, a consultoria aponta que os próprios EUA estão desmantelando sua ordem global. O país mais poderoso do mundo está em meio a uma revolução política. E isso tem impactos no mundo todo.

Clique e confira um resumo (em inglês) de cada um dos riscos apontados pela Eurasia:

  1. Revolução política nos EUA: o presidente Donald Trump está tentando desmontar mecanismos de controle sobre seu poder, tomar o controle da máquina governamental americana e usá-la como arma contra seus inimigos, o que torna os EUA a principal fonte de risco global em 2026.
  2. Batalha elétrica: as tecnologias que definem a economia do século XXI (veículos elétricos, drones, robôs, inteligência artificial etc.) dependem de baterias elétricas. A China consolidou sua liderança nessa área, enquanto os EUA têm ficado para trás. Em 2026, essa divergência se tornará impossível de ignorar.
  3. Doutrina Donroe: sob Trump, em sua versão da Doutrina Monroe, os EUA não buscam só limitar a China, a Rússia e o Irã no Ocidente, mas também atuar ativamente nesses territórios, com pressão militar, coerção econômica, alianças seletivas e acerto de contas pessoais, aumentando o risco de excessos políticos e consequências não intencionais.
  4. Europa sob cerco: França, Alemanha e Reino Unido iniciam o ano com governos frágeis e impopulares, correndo o risco de paralisia, na melhor das hipóteses, ou desestabilização, na pior, e comprometendo a capacidade europeia de lidar com sua crise econômica, de ocupar o espaço deixado pela retirada do apoio militar americano e de sustentar a Ucrânia na guerra contra a Rússia.
  5. Segundo front russo: a frente mais perigosa na Europa se deslocará das trincheiras em Donetsk para a guerra híbrida entre Rússia e a Otan. A Rússia deve intensificar as operações na zona cinzenta contra a Otan, que poderá reagir, aumentando as chances de confrontos mais frequentes e perigosos no coração da Europa.
  6. Capitalismo de estado com características americanas: a administração americana mais intervencionista desde o New Deal escolherá vencedores e perdedores em uma escala nunca antes vista na história moderna dos EUA, remodelando a relação entre os setores público e privado do país.
  7. Armadilha deflacionária da China: Pequim não deve conseguir escapar da sua armadilha deflacionária este ano, em vez disso, continuará tentando sair dela exportando, inundando os mercados globais com produtos baratos, para tentar evitar uma crise interna.
  8. IA engole seus usuários: os ganhos de produtividade com a adoção da inteligência artificial devem vir conforme sua difusão na economia, mas isso leva tempo e o mercado precificou uma revolução, não uma evolução. Sob essa pressão, algumas empresas poderão adotar modelos de negócios que ameacem a estabilidade social e política.
  9. Zumbi norte-americano: o comércio entre os países da América do Norte deve ficar em um limbo em 2026. O acordo EUA-México-Canadá (USMCA, na sigla em inglês) não deve ser prorrogado, atualizado ou extinto, permanecendo como um zumbi, nem morto nem vivo, enquanto Trump continua negociando com os dois maiores parceiros comerciais americanos.
  10. A água como arma: a água está se tornando o recurso compartilhado mais disputado do planeta. Em 2026, a demanda deve se intensificar, o vácuo de governança se aprofundar e a água se tornar uma arma poderosa em diversas rivalidades perigosas ao redor do mundo, transformando uma crise humanitária em uma ameaça à segurança nacional.

A seguir, você pode assistir a live (em inglês) que foi transmitida no canal do YouTube sobre o tema:

Quais os impactos de tudo isso no Brasil?

Neste ano, a Eurásia também preparou um resumo dos impactos desses riscos para o Brasil. Segundo a consultoria, as consequências para o Brasil serão moderadas e não implicarão em grandes disrupções, mas três pontos merecem atenção especial:

  • Na visão da consultoria, a espiral deflacionária da China provavelmente é o mais importante para o Brasil. No curto prazo, importações de produtos chineses mais baratos pode ajudar na trajetória de desinflação do Brasil. Contudo, a médio prazo, a estratégia chinesa de exportar o excesso de capacidade industrial cria vulnerabilidades para setores produtores brasileiros, como aço, petroquímicos, vestuário e automotivo.
  • A inteligência artificial pode transformar o ciclo eleitoral de 2026. Com marcos regulatórios ainda não colocados à prova, as eleições brasileiras devem ser impactadas, por exemplo, via desinformação impulsionada por IA, em contexto de democracia polarizada e desconfiança com instituições públicas.
  • Na guerra tecnológica EUA-China, o Brasil parece bem-posicionado. Reservas de minerais críticos, exportações de combustíveis fósseis e energias renováveis em expansão dão ao país poder de barganha para navegar essa competição.

Para além desses, a consultoria menciona também possíveis desdobramentos dos demais ‘top 10 riscos globais’ no país.

💬 O que achou deste conteúdo?

Leia também

Confira outras edições do No Radar do Mercado:

Focus: no primeiro relatório do ano, projeções do IPCA mostram ligeira oscilação

No Radar do Mercado: mercado encerra o ano projetando PIB de 2,26% em 2025 e 1,80% em [...]

Banco Central reforça cenário de corte de juros no primeiro trimestre de 2026

No Radar do Mercado: Relatório de Política Monetária do Banco Central revisou para ba [...]

Ata do Copom reduz chance de cortes em janeiro

No Radar do Mercado: documento divulgado hoje trouxe tom duro e reduziu chances de co [...]