Varejo supera expectativas no Brasil; BCE mantém juros inalterados

No Radar do Mercado: enquanto o varejo brasileiro surpreendeu positivamente em fevereiro, a decisão monetária do BCE veio conforme o esperado pelo mercado

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Itaú Private Bank

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Varejo brasileiro supera expectativas em fevereiro

O volume de vendas no comércio varejista ampliado apresentou uma expansão de 1,2% em fevereiro em relação ao mês anterior, ficando acima das projeções do mercado, que esperava uma queda (para 0,8%). Na comparação anual, o indicador registrou alta de 9,7%.

Entre as 10 atividades analisadas no mês, três recuaram na margem. O destaque positivo veio de veículos e autopeças, enquanto combustíveis e lubrificantes surpreenderam negativamente.

Já no conceito restrito (que desconsidera veículos, motos, partes e peças, além de material de construção), as vendas subiram 1,0% no mês, também superando as expectativas do mercado, que previam um recuo de 1,5%. Na comparação anual, a alta foi de 8,2%.

Nossa visão: os dados de fevereiro corroboram com a nossa visão de que o forte número de janeiro não foi uma devolução de dezembro ou devido a alguma distorção sazonal. Acreditamos que os precatórios (disponibilizados às famílias no início do ano) e o aumento do salário-mínimo estão impactando positivamente as vendas no varejo. Pensando nisso, acreditamos que o resultado do primeiro semestre será mais forte que esperávamos, colocando um viés de alta na projeção do PIB de 2024 (atualmente, em 2%).

BCE divulga decisão de política monetária

O Banco Central Europeu divulgou hoje sua decisão de política monetária, mantendo estáveis as principais taxas de juros, em linha com o esperado pelo do mercado. Com isso, a taxa de refinanciamento permanece em 4,50%, a de depósitos em 4,00% e a de empréstimos em 4,75%.

No geral, o comunicado da decisão confirmou a avaliação anterior do comitê com relação às perspectivas de inflação a médio prazo. A inflação segue em queda, liderada pelos preços mais baixos de bens e alimentos, enquanto serviços seguem resilientes. A visão das autoridades é que a maior parte das medidas da inflação subjacente também está recuando, o crescimento salarial está gradualmente se estabilizando, enquanto as empresas absorvem parte do aumento dos custos de mão de obra comprimindo seus lucros.

Quanto aos próximos passos, a autoridade monetária constatou que será apropriado reduzir os juros caso a dinâmica da inflação e a força da transmissão da política monetária garantam confiança suficiente de que a inflação voltará para a meta de 2%. Além disso, reiterou a postura dependente da evolução dos dados para determinar o nível e a duração da política monetária restritiva, assegurando que manterá as taxas no patamar atual pelo tempo que for necessário.

Na coletiva de imprensa, Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu, reafirmou que as autoridades não estão se comprometendo com uma trajetória de juros futura, e manterão a postura dependente da evolução dos dados, ressaltando mais uma vez a maior disponibilidade de informações na reunião de junho. Quando perguntada sobre como a mudança do quadro inflacionário americano poderia impactar as decisões de política monetária europeia, Lagarde ressaltou que apesar de alterar a conjuntura econômica, o BCE atuaria conforme a evolução dos dados, e não conforme às decisões do banco central americano.



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