Cenário macro: nossa atualização para julho de 2026
Conflito no Oriente Médio, inteligência artificial e política monetária seguem ditando o rumo dos mercados
Por Itaú Asset
Julho foi marcado pelo aumento das incertezas no cenário internacional. A intensificação do conflito no Oriente Médio elevou a preocupação com os impactos sobre a inflação e o crescimento global, enquanto novos avanços da inteligência artificial reforçaram que a disputa tecnológica entre Estados Unidos e China continuará sendo um dos principais temas para investidores nos próximos anos.
Foi nesse contexto que realizamos mais uma edição da live mensal de Cenário Macro, com a participação de Thomas Wu, estrategista-chefe de investimentos do Itaú, e Rodrigo Koch, gestor da família de fundos Itaú Optimus.
A seguir, confira os principais destaques:
Cenário internacional
Conflito no Oriente Médio aumenta risco para a economia global
O cenário mudou significativamente em relação ao mês anterior. O que parecia ser um choque temporário passou a ganhar características mais persistentes, com o conflito no Oriente Médio entrando em um novo estágio de duração e expansão geográfica. Esse ambiente aumentou a atenção dos mercados para os possíveis impactos sobre o petróleo e a economia global.
Mais importante do que a intensidade das oscilações no preço da commodity é a duração do choque. Quando os preços da energia permanecem elevados por um período prolongado, os impactos deixam de se concentrar nos combustíveis e começam a se espalhar por toda a economia. Esse ambiente aumenta o risco de desaceleração da economia global e exige atenção dos investidores à evolução da inflação e da atividade econômica nos próximos meses.
Competição entre China e Estados Unidos em inteligência artificial
Outro destaque do mês foi o lançamento do Kimi K3, novo modelo de inteligência artificial da startup chinesa Moonshot. O lançamento reforça que a China continua reduzindo a distância tecnológica em relação às empresas americanas, mesmo diante das restrições impostas pelos Estados Unidos ao acesso às tecnologias mais avançadas.
O modelo também chamou atenção por adotar pesos abertos, movimento que reforça a disputa geopolítica pela definição dos padrões da inteligência artificial. Apesar do aumento da concorrência, a avaliação permanece positiva para o setor. A expectativa é que os investimentos em infraestrutura de IA, data centers, semicondutores, energia e capacidade computacional continuem sustentando oportunidades relevantes ao longo dos próximos anos.
Segunda reunião do Fed mantém dúvidas sobre os próximos passos
Julho também marcou a segunda reunião do Federal Reserve sob a liderança de Kevin Warsh. Embora o Banco Central americano tenha mantido os juros inalterados, a comunicação voltou a gerar dúvidas entre investidores. Warsh reforçou o compromisso com o controle da inflação, mas evitou indicar de forma mais clara quais serão os próximos passos da política monetária.
A ausência de sinalizações mais objetivas aumentou a dispersão das expectativas entre os agentes de mercado. Hoje, diferentes instituições trabalham com cenários distintos para os próximos meses, refletindo o maior grau de incerteza em torno da condução da política monetária americana.
Cenário local: Brasil
Decisão do Fed abre espaço para novo corte da Selic
No Brasil, o foco dos investidores está voltado para a próxima reunião do Copom. O fato de o mercado ter reduzido a expectativa de alta de juros nos Estados Unidos contribui para preservar o diferencial de juros entre os dois países, criando um ambiente mais favorável para que o Banco Central brasileiro continue o ciclo de cortes. Ainda assim, a decisão seguirá condicionada ao comportamento da inflação e ao cenário internacional, que permanece desafiador.
Temporada de resultados deve mostrar efeitos dos juros elevados
Outro tema importante para o mercado brasileiro é o início da temporada de resultados corporativos. O longo período de juros elevados começa a pesar sobre as empresas, com sinais de desaceleração nos investimentos e maior pressão sobre margens.
Por esse motivo, a equipe de gestão da família Itaú Optimus mantém preferência por empresas consideradas mais defensivas, com geração consistente de caixa, distribuição de dividendos e menor sensibilidade ao ciclo econômico. Setores como energia elétrica, saneamento e concessões seguem entre os que apresentam maior resiliência no cenário atual, enquanto segmentos mais ligados ao consumo continuam exigindo maior cautela.
Estratégia de investimentos
Ambiente mais volátil exige revisões mais frequentes do cenário
O processo de investimento da família Itaú Optimus permanece baseado em pesquisa, discussão colegiada e avaliação constante do cenário macroeconômico. O que mudou recentemente foi a velocidade com que o cenário precisa ser reavaliado.
Com a maior relevância da geopolítica desde o início da guerra entre Rússia e Ucrânia e, mais recentemente, com a escalada do conflito no Oriente Médio, o fluxo de notícias passou a provocar movimentos mais intensos nos mercados, exigindo revisões mais frequentes dos cenários. Nesse contexto, a gestão tem adotado uma postura equilibrada na construção das carteiras, priorizando diversificação e controle de risco diante de um ambiente de volatilidade elevada.
O que observar até a próxima live
- Evolução do conflito no Oriente Médio e seus impactos sobre o petróleo;
- Decisão do Copom e próximos passos da política monetária brasileira;
- Novos desdobramentos da estratégia do Federal Reserve sob a liderança de Kevin Warsh;
- Temporada de resultados das empresas brasileiras;
- Evolução da disputa tecnológica entre Estados Unidos e China no desenvolvimento da inteligência artificial;
- Continuidade dos investimentos globais em infraestrutura para IA.
A seguir, confira o bate-papo na íntegra:
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