Cenário macro de setembro: juros americanos, inflação e investimentos
Juros do Tesouro dos EUA atingem níveis não vistos em duas décadas, enquanto os investimentos em IA seguem sustentando a atividade econômica americana
Por Itaú Asset
Setembro foi marcado pela alta dos juros americanos e pela persistência das pressões inflacionárias associadas ao cenário geopolítico. Em sentido oposto, a expansão dos investimentos em inteligência artificial e infraestrutura tecnológica continuou sustentando a atividade econômica dos Estados Unidos.
Os temas foram analisados por Thomas Wu, estrategista-chefe de investimentos do Itaú, e Pablo Salgado, gestor da família de fundos Itaú Optimus, na edição de setembro da live Cenário Macro.
Cenário internacional
Investimentos em IA ajudam a sustentar a atividade americana
A combinação entre o conflito envolvendo o Irã e a expansão dos investimentos em inteligência artificial continua moldando o cenário global.
Embora os Estados Unidos tenham passado a enfatizar sanções econômicas e restrições ao comércio de petróleo iraniano, reduzindo o foco no envolvimento militar direto, a disputa continua pressionando os preços de energia e influenciando as perspectivas para inflação, crescimento e juros globais. Em contrapartida, os investimentos em data centers e infraestrutura tecnológica impulsionam a demanda e ajudam a manter a atividade americana resiliente.
O resultado é um ambiente de inflação elevada e atividade resiliente. As discussões sobre segurança e governança da inteligência artificial avançam em paralelo à expansão dos investimentos no setor. Nesse contexto, o Federal Reserve iniciou um novo ciclo de alta de juros, ampliando as discussões sobre a intensidade e a duração desse movimento.
A abertura dos juros amplia o debate sobre renda fixa americana
A reprecificação da curva de juros americana ampliou o interesse dos investidores por títulos de renda fixa dos Estados Unidos. Na data da live, um título do Tesouro americano protegido contra a inflação (TIPS) de 30 anos oferecia retorno real de 3,15% ao ano. Para investidores com horizonte mais longo e interesse em diversificar patrimônio em moeda forte, esse movimento ampliou a atratividade desses ativos.
Na parte curta da curva, o mercado continua ajustando as expectativas para os próximos passos do Federal Reserve, enquanto os fatores que impulsionaram a abertura das taxas permanecem presentes.
Dólar oscila entre fatores positivos e negativos
O dólar continua refletindo forças que atuam em direções opostas. A autossuficiência energética dos Estados Unidos, os investimentos em inteligência artificial e os juros mais elevados favorecem a moeda americana.
Por outro lado, questões institucionais, políticas e geopolíticas limitam movimentos mais consistentes de valorização. Ao longo do ano, a moeda alternou períodos de alta e baixa sem estabelecer uma tendência clara.
Cenário econômico do Brasil
Inflação e atividade mantêm aberta a discussão sobre novos cortes da Selic
No Brasil, os dados mais recentes continuaram mostrando sinais de desaceleração da atividade econômica e da inflação. Esse movimento abriu espaço para a redução da Selic e mantém a discussão sobre a possibilidade de novos cortes nas próximas reuniões do Banco Central.
A continuidade desse processo, porém, depende da evolução dos indicadores econômicos. Entre as variáveis observadas, o comportamento do câmbio permanece especialmente relevante devido ao impacto que pode exercer sobre as expectativas de inflação.
Crédito e fiscal seguem entre os principais pontos de atenção
O elevado comprometimento de renda das famílias, combinado com juros ainda altos, continua sendo acompanhado de perto pelos investidores, devido ao potencial impacto sobre consumo e crescimento econômico.
Ao mesmo tempo, seguem as discussões sobre a trajetória fiscal do país e sobre as políticas que poderão ser implementadas nos próximos anos para lidar com o crescimento da dívida pública. Crédito, juros e trajetória fiscal continuarão influenciando os ativos brasileiros e as perspectivas para a economia.
Estratégia de investimentos: Itaú Optimus
Petróleo aumenta o desafio de diversificação dos portfólios
O petróleo passou a exercer influência relevante sobre diferentes classes de ativos, tanto em mercados desenvolvidos quanto emergentes. Com diferentes posições expostas a um mesmo fator de risco, a busca por diversificação torna-se mais complexa.
Nesse ambiente, a gestão da família de fundos Itaú Optimus tem adotado uma postura mais cuidadosa na tomada de risco, trabalhando com posições menores e maior atenção à concentração das exposições.
Opções ganham espaço como instrumento de proteção
O mercado de opções passou a ocupar papel mais relevante na construção dos portfólios. Esses instrumentos permitem estruturar posições protegidas, participando de movimentos de mercado enquanto ajudam a limitar a exposição a cenários adversos. Em um ambiente de elevada incerteza, as opções têm sido utilizadas para equilibrar risco e proteção nas carteiras.
O que esse cenário significa para o investidor?
Para o investidor, o cenário reforça a importância de acompanhar a interação entre juros, inflação, câmbio e preços de energia, além de avaliar oportunidades de renda fixa e diversificação de acordo com o perfil, os objetivos e o horizonte de investimento.
O que observar até a próxima live
- Divulgação do Relatório de Política Monetária do Banco Central
- Evolução da inflação e da atividade econômica no Brasil
- Comportamento do câmbio e seus impactos sobre a política monetária
- Continuidade dos investimentos globais em inteligência artificial e infraestrutura tecnológica
- Evolução do conflito envolvendo o Irã e seus impactos sobre petróleo, diesel e inflação
- Resultado das eleições no Brasil e possíveis impactos sobre o cenário fiscal e econômico
A seguir, confira o bate-papo na íntegra:
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