Dos choques recentes à geopolítica: onde estão as oportunidades no setor de energia?

Mind Asset: Alexandre Gazzotti e Luana Resende analisam como geopolítica, tecnologia e crédito estão redesenhando o setor de energia

Por Comunicação Itaú Asset

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Em um mundo mais volátil, a energia deixou de ser apenas um insumo econômico e passou a ocupar o centro das decisões estratégicas. Choques no petróleo, disputas geopolíticas e a crescente demanda por infraestrutura digital estão acelerando uma transformação que vai além da agenda climática.

Neste episódio do Mind Asset, Alexandre Gazzotti, especialista em Investimento Responsável da Itaú Asset, e Luana Resende, portfolio manager da Itaú Asset, discutem como esse cenário global impacta o setor de energia e reforça a importância de uma abordagem mais abrangente na análise de investimentos.

O olhar do crédito em um ambiente mais complexo

Historicamente, episódios de conflito em regiões produtoras de petróleo e gás costumam provocar oscilações relevantes nos preços e na volatilidade das commodities. Esse movimento reforça a necessidade de repensar a matriz energética sob a ótica da diversificação e da segurança.

Se antes o avanço das fontes renováveis estava mais associado à redução de emissões, hoje ele também responde a uma demanda por autonomia e estabilidade. Investir em energia limpa passa a ser, ao mesmo tempo, uma escolha sustentável e uma estratégia para reduzir dependências externas e fortalecer a resiliência dos sistemas energéticos.

No Brasil, esse movimento ganha ainda mais importância. A matriz já historicamente ancorada em fontes renováveis avançou de forma significativa. Há cinco anos, as energias eólica e solar representavam cerca de 12% da matriz elétrica. Hoje, já superam 40%, impulsionadas por avanços tecnológicos e pelo ganho de eficiência dos projetos.

Curtailment e os desafios da infraestrutura

Entre os temas recentes que ganharam destaque no setor está o curtailment, fenômeno que ocorre quando a geração de energia renovável precisa ser reduzida por limitações de infraestrutura.

Apesar da expansão da capacidade instalada, a ausência de integração adequada com o sistema, especialmente em termos de transmissão, tem gerado perdas de eficiência. No Brasil, onde o potencial de geração renovável é elevado, o desafio passa por aprimorar o planejamento e ampliar a infraestrutura para acompanhar essa evolução.

Para o crédito, isso introduz uma camada adicional de risco. A menor previsibilidade de receita pode impactar o fluxo de caixa das companhias e pressionar indicadores financeiros, exigindo uma análise ainda mais cuidadosa por parte dos gestores.

Data centers, baterias e a nova dinâmica da demanda

O avanço da inteligência artificial e a expansão dos data centers têm elevado a demanda por energia, criando uma pressão adicional sobre a oferta. Essas estruturas exigem fornecimento estável e previsível, o que incentiva o desenvolvimento de projetos de energia renovável próximos a esses centros, garantindo maior segurança operacional e contribuindo para a redução da pegada de carbono.

Ao mesmo tempo, cresce a necessidade de soluções que equilibrem essa nova dinâmica da demanda. Nesse contexto, o avanço das baterias ganha destaque ao permitir o armazenamento de energia em momentos de menor consumo para uso em períodos de pico, contribuindo para a estabilidade da rede.

Com a expectativa de novos leilões e avanços regulatórios no Brasil, essas soluções tendem a ampliar o leque de oportunidades e reforçar o papel da tecnologia na evolução do setor energético.

Construção de carteiras e investimento responsável

Diante desse ambiente mais complexo, a construção das carteiras passa a exigir uma visão mais abrangente sobre o setor de energia. O desafio é entender como fatores como localização, tecnologia, infraestrutura e perfil de demanda interagem entre si, influenciando risco e retorno.

A diversificação ganha protagonismo, tanto entre fontes de energia quanto entre emissores e regiões, contribuindo para a formação de portfólios mais resilientes. Nesse contexto, o investimento responsável se consolida como eixo estruturante, ao integrar retorno financeiro com a geração de externalidades positivas em setores como energia renovável, saneamento, saúde e educação.

Ao combinar diversificação e foco no longo prazo, essa abordagem fortalece a qualidade das carteiras e cria um ciclo virtuoso, em que os investimentos contribuem para o desenvolvimento econômico e socioambiental.

Assista e aprofunde

Confira o episódio completo do Mind Asset e entenda por que os ETFs vêm ganhando protagonismo e como esse movimento pode transformar a forma de investir nos próximos anos.

Confira o episódio completo do Mind Asset, entenda como o setor de energia está sendo redesenhado e o que isso significa para a construção de carteiras mais resilientes em um cenário global em transformação.

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