ETFs: tendência passageira ou evolução estrutural?

Mind Asset: Thiago Salomão e Renato Eid analisam o crescimento da indústria e o papel estratégico dos ETFs nas carteiras

Por Comunicação Itaú Asset

3 minutos de leitura

Os ETFs deixaram de ser apenas uma alternativa para ganharem espaço como protagonistas na carteira dos investidores. O avanço recente levanta uma questão importante: trata-se de um movimento passageiro ou de uma evolução estrutural na forma de investir?

Neste episódio do Mind Asset, Thiago Salomão, fundador e CEO do Market Makers, e Renato Eid, head de estratégias indexadas e Investimento Responsável da Itaú Asset, discutem a expansão desses instrumentos e como investidores e gestores têm passado a utilizá-los de forma mais estratégica.

Uma evolução que ganha escala

Embora a indústria de ETFs no Brasil já tenha mais de duas décadas, o crescimento recente chama a atenção. O patrimônio investido passou de cerca de R$ 45 bilhões no fim de 2024 para mais de R$ 90 bilhões em 2025 e se aproxima de R$ 120 bilhões em 2026, indicando uma aceleração relevante.

Esse avanço reflete uma mudança gradual na forma como o investidor constrói sua carteira. Em vez de focar apenas na escolha de produtos isolados, cresce a preocupação com a alocação e com a combinação de custo, liquidez e diversificação, características que colocam os ETFs como candidatos naturais a um papel mais central na estratégia.

A ampliação da oferta também contribui para esse movimento, com destaque para o desenvolvimento de ETFs de renda fixa, que dialogam diretamente com a preferência histórica do investidor brasileiro.

Educação financeira e comportamento do investidor

Apesar do avanço, a adoção dos ETFs ainda depende de um processo contínuo de educação financeira. Mais do que subestimado, o produto ainda é pouco compreendido por parte dos investidores, o que limita sua utilização.

Nesse contexto, os ETFs se destacam por combinar simplicidade e sofisticação. Negociados em bolsa e acessíveis a diferentes perfis, permitem uma exposição eficiente a diversos mercados. Ao mesmo tempo, exigem uma mudança de mentalidade.

Em um ambiente marcado por excesso de informação e decisões cada vez mais rápidas, o principal desafio passa pelo comportamento do investidor. Vieses emocionais e a busca por resultados imediatos tendem a prejudicar a consistência das decisões, enquanto estratégias mais diversificadas e orientadas ao longo prazo ganham relevância.

Diversificação como ponto de partida

A discussão sobre ETFs está diretamente ligada ao tema da diversificação. Em um cenário em que identificar individualmente os ativos que mais vão se valorizar é cada vez mais difícil, a construção do portfólio passa a ter um papel central.

Isso porque a maior parte do retorno de um investimento está associada à alocação dos ativos, e não à escolha pontual de papéis. Nesse contexto, os ETFs funcionam como instrumentos que permitem acessar de forma ampla diferentes mercados e estratégias.

A lógica se aproxima de uma mudança de abordagem, que em vez de buscar a “melhor ação”, o investidor passa a estruturar a carteira a partir de blocos que oferecem exposição diversificada, reduzindo riscos específicos e ampliando as fontes de retorno.

O desafio da diversificação internacional

Mesmo com esse avanço, o investidor brasileiro ainda mantém forte concentração em ativos domésticos. Esse comportamento reflete tanto fatores estruturais quanto culturais, além da própria profundidade do mercado local.

A diversificação internacional, por sua vez, não está associada apenas à busca por retorno, mas também à proteção do portfólio. Ao adicionar exposição a outras moedas e economias, o investidor reduz a dependência de fatores exclusivamente domésticos e amplia a resiliência da carteira.

Os ETFs desempenham um papel importante nesse processo ao facilitar o acesso a ativos globais, ainda que essa transição ocorra de forma gradual e dependa de maior amadurecimento do mercado.

ETFs como peça central das carteiras

Em mercados mais maduros, como o americano, os ETFs já são vistos como parte essencial da infraestrutura de investimentos, utilizados como peças básicas na construção de portfólios.

No Brasil, esse processo ainda está em andamento. Apesar do crescimento acelerado, a participação dos ETFs segue relativamente baixa em comparação a outros países, o que indica espaço relevante para expansão.

Nesse cenário, a tendência não é de substituição, mas de complemento. A combinação entre gestão ativa e indexada ganha relevância, reforçando a ideia de que diferentes estratégias podem coexistir na construção de carteiras mais eficientes.

Assista e aprofunde

Confira o episódio completo do Mind Asset e entenda por que os ETFs vêm ganhando protagonismo e como esse movimento pode transformar a forma de investir nos próximos anos.

Confira outras edições do Mind Asset

ETFs no Brasil: crescimento da indústria e novidades para os investidores

Mind Asset: Caique Cardoso, especialista em ETFs da Itaú Asset, analisa o crescimento [...]

Do Bull ao Bear Market: como Long Only e Long & Short navegam em diferentes cenários

Mind Asset: Bruno Savaris, gestor da família Itaú Hunter, e Rodrigo Araújo, portfolio [...]

Fundos com exposição à Bolsa são todos iguais?

Rodrigo Koch, portfolio manager do Itaú Optimus Long Bias, e Fernando Cavallete, head [...]