Fundos ilíquidos: como funcionam e quais oportunidades oferecem?

Mind Asset: entenda as características dos fundos ilíquidos, como funcionam as chamadas de capital e amortizações e quais indicadores ajudam a acompanhar esses investimentos

Por Comunicação Itaú Asset

3 minutos de leitura

Nem todo investimento precisa oferecer liquidez a qualquer momento. Em algumas estratégias, abrir mão da possibilidade de resgate imediato permite acessar ativos e oportunidades que normalmente não estão presentes em fundos mais líquidos.

Neste episódio do Mind Asset, que inaugura a série Além da Liquidez, Jair Cesario, Portfolio Specialist de Private Market da Itaú Asset, e Gerson Konishi, Portfolio Specialist de Crédito Core da Itaú Asset, explicam as principais características dos fundos ilíquidos e a dinâmica desses investimentos, desde a entrada do capital até o acompanhamento dos resultados e a devolução dos recursos ao investidor.

O que caracteriza um fundo ilíquido?

A principal diferença está no prazo que o cotista precisa esperar para receber seus recursos de volta. Enquanto fundos tradicionais costumam permitir resgates seguindo prazos definidos de cotização e liquidação, os fundos ilíquidos geralmente funcionam em estruturas fechadas, nas quais o dinheiro é devolvido gradualmente ao longo da vida do fundo.

Em troca dessa menor liquidez, o investidor pode acessar um universo mais amplo de ativos, como infraestrutura, crédito estruturado e participações em empresas não listadas. Como o gestor não precisa vender ativos para atender a pedidos frequentes de resgate, também pode estruturar operações de prazo mais longo e buscar capturar o chamado prêmio de liquidez.

Diferentes formas de acessar esse mercado

O universo dos fundos ilíquidos reúne estratégias bastante variadas. Além do crédito corporativo estruturado e de estratégias semelhantes a private equity, há alternativas relacionadas a segmentos como infraestrutura e agronegócio.

O acesso também pode ocorrer de maneiras diferentes. Nos fundos fechados, há um período de captação e o investidor depende das amortizações e da devolução do principal para receber os recursos. Esses fundos podem ter prazos de três, quatro, cinco ou sete anos, por exemplo.

Há ainda fundos listados em bolsa, como FIAGROs, fundos imobiliários e fundos de infraestrutura, nos quais a saída ocorre por meio da venda das cotas no mercado. Outra possibilidade são estruturas que combinam ativos com diferentes níveis de liquidez e oferecem prazos de resgate mais longos, que podem chegar a 30 ou 60 dias ou até seis meses.

Chamadas de capital e amortizações

Outra particularidade é que o capital comprometido pelo investidor não necessariamente é aplicado de uma só vez. Conforme surgem oportunidades de investimento, o fundo realiza chamadas de capital e os aportes são feitos gradualmente. Assim, evita-se manter um volume elevado de recursos parado em caixa enquanto os ativos ainda estão sendo selecionados.

A devolução também acontece ao longo do tempo. À medida que os ativos geram caixa, pagam juros, são amortizados ou chegam ao vencimento, os recursos recebidos pelo fundo podem ser repassados aos cotistas por meio de amortizações.

Um fundo com prazo de sete anos, por exemplo, não significa que o investidor necessariamente ficará todo esse período sem receber recursos. O fundo pode passar os primeiros anos realizando chamadas de capital e, posteriormente, começar a devolver parte do investimento conforme os ativos passam a gerar caixa. Nesse caso, os sete anos representam o prazo previsto para a conclusão do ciclo do fundo.

Como acompanhar os resultados?

A dinâmica dos fundos ilíquidos também muda a forma de avaliar seu desempenho. Como parte do capital pode já ter sido devolvida ao investidor, acompanhar somente a variação mensal da cota não oferece uma visão completa do investimento.

Dois indicadores ganham relevância nesse acompanhamento: a Taxa Interna de Retorno (TIR) e o MOIC. A TIR considera os diferentes fluxos de aportes e recebimentos ao longo do tempo e expressa a taxa de retorno do investimento. Já o MOIC mostra quanto o capital investido representa em valor acumulado.

Um MOIC de 1,5 vez, por exemplo, indica que um investimento de R$ 100 corresponde a R$ 150 considerando os valores já recebidos e aqueles que permanecem investidos. Dois fundos podem apresentar o mesmo MOIC, mas aquele que devolver os recursos mais rapidamente tende a apresentar uma TIR maior.

Avaliação e seleção dos ativos

Mesmo sem negociação diária, os ativos ilíquidos precisam ser avaliados periodicamente. Para isso, podem ser consideradas informações financeiras das empresas, projeções de fluxo de caixa, taxas de mercado e operações semelhantes realizadas no mercado. Nesse processo, a governança é fundamental para buscar uma avaliação adequada de cada ativo.

O trabalho começa antes mesmo da entrada do investimento na carteira. A originação envolve a busca e a análise de oportunidades junto a empresas, originadores e outros participantes do mercado. São avaliados fatores como estrutura financeira, garantias, fluxos esperados e riscos envolvidos na operação.

Depois que o ativo passa a fazer parte do fundo, o acompanhamento continua. Diferentemente de estratégias mais líquidas, nas quais a carteira pode ser ajustada diariamente no mercado secundário, nos fundos ilíquidos ganha importância o monitoramento da tese de investimento ao longo do tempo, incluindo a evolução dos ativos, das garantias e dos fatores que sustentaram a decisão inicial.

Para quem são os fundos ilíquidos?

O acesso depende das características de cada produto e do público ao qual ele se destina. A regulamentação diferencia investidores entre público geral, investidores qualificados e investidores profissionais, e fundos com estruturas mais complexas e menor liquidez podem ser direcionados aos dois últimos grupos.

Mais do que considerar apenas o potencial de retorno, é importante entender a dinâmica do produto, seus riscos e, principalmente, o período durante o qual os recursos podem permanecer investidos.

Assista e aprofunde

Confira o episódio completo do Mind Asset e entenda como funcionam os fundos ilíquidos, desde as chamadas de capital e amortizações até a seleção dos ativos e o acompanhamento dos resultados.

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