Perspectivas 2026: quais serão os rumos da renda variável?
Confira os principais destaques do painel que contou com a participação de Luiz Ribeiro, Rodrigo Koch e Bruno Savaris, com moderação de Gabriela Sabino
Por Itaú Asset
Durante o nosso encontro anual Perspectivas 2026, os gestores da Itaú Asset Luiz Ribeiro (Itaú Asgard), Rodrigo Koch (Itaú Optimus), e Bruno Savaris (Itaú Hunter) participaram de um bate-papo com a Gabriela Sabino, analista de ações da Itaú Asset. Eles analisaram o cenário para a bolsa brasileira e os mercados globais em 2025 e 2026, destacando um ambiente mais favorável para ativos de risco.
A combinação de inflação controlada e o crescimento global resiliente sustentam a visão positiva, com ênfase na assimetria da bolsa brasileira e nas oportunidades seletivas no exterior. A seguir, os principais destaques do painel.
Bolsa brasileira: valuations descontados e assimetria positiva
Bruno Savaris destacou que o forte pessimismo no fim de 2024 levou a bolsa brasileira a iniciar 2025 com valuations bastante descontados. Ao longo do ano, o cenário começou a se reverter, com a depreciação do dólar e a retomada do fluxo para mercados emergentes, favorecendo o Brasil. Esse ponto de partida reforça uma leitura positiva para 2026, especialmente caso o ciclo de queda de juros avance e o fluxo estrangeiro volte de forma mais consistente.
Cenário global: crescimento resiliente e preferência pelos EUA
Rodrigo Koch apontou que o ambiente segue favorável para ativos de risco, tanto em mercados desenvolvidos quanto em emergentes. A expectativa é de continuidade do crescimento global e, entre as regiões, a preferência é pelos EUA.
A economia americana deve permanecer sólida, apoiada pelos investimentos em inteligência artificial e pelos estímulos fiscais já aprovados. As revisões de lucro seguem positivas, os balanços corporativos estão saudáveis e há espaço para ajustes adicionais na política monetária.
A nova fase da inteligência artificial
Para Luiz Ribeiro, a tese de inteligência artificial entra em uma nova fase. Os fornecedores de tecnologia deixam de ser o principal vetor de valor, dando lugar às empresas que conseguem gerar ganhos de produtividade e crescimento de resultados. O movimento abre oportunidades em setores como saúde, bancos e empresas de menor capitalização, principalmente nos EUA e China.
Brasil: queda de juros e alta volatilidade
A expectativa é de maior volatilidade no mercado doméstico devido cenário eleitoral, mas os gestores veem um ambiente propício para a geração de alfa. O Brasil inicia o ano com juros elevados, o que amplia o potencial de valorização da bolsa caso a expectativa do ciclo de cortes avance.
Em um mercado com pouco fluxo, qualquer retomada de capital, sobretudo estrangeiro, tende a impactar os preços dos ativos. Além disso, as empresas seguem com balanços sólidos e níveis elevados de distribuição de dividendos.
Setores em destaque
Entre os setores preferidos, utilities ganha destaque com retornos atrativos, impulsionado por preços de energia mais altos e oportunidades de investimento em infraestrutura e saneamento. O setor financeiro também segue no radar, assim como empresas industriais de alta qualidade.
O consenso é de cautela com empresas excessivamente alavancadas, com baixo crescimento estrutural ou negociando a múltiplos elevados sem suporte fundamental. Setores mais sensíveis ao ciclo econômico exigem seletividade.
Conclusões estratégicas para 2026
- Assimetria positiva na bolsa brasileira com valuations ainda abaixo da média histórica
- Expectativa de queda dos juros e desinflação como vetores favoráveis para ativos de risco
- Fluxo estrangeiro ainda reduzido, com potencial de impulsionar a valorização dos ativos
- Volatilidade eleitoral pode trazer oportunidades favoráveis
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