Ata do Copom reforça mensagem de início iminente de cortes de juros
No Radar do Mercado: havia percepção de que Comitê pudesse utilizar a ata para ajustar interpretações do Comunicado da reunião, mas mensagem passada pelo Copom é de que corte de juros deve mesmo começar em março
Por Itaú Private Bank
O Banco Central divulgou nesta terça-feira, 3, a Ata da primeira reunião do ano do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada na semana passada, quando decidiu manter a taxa Selic em 15,00% ao ano novamente, mas sinalizou que deve iniciar o ciclo de cortes de juros na próxima reunião do Comitê, em março. Mensagem de corte, inclusive, que foi repetida na Ata.
No que diz respeito ao cenário internacional, o Comitê destacou que o ambiente externo ainda se mantém incerto em função da conjuntura e da política econômica dos EUA, com reflexos nas condições financeiras globais. Segundo o Comitê, isso exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por tensão geopolítica.
Em relação ao cenário doméstico, os membros afirmaram que o conjunto dos indicadores segue apresentando, conforme esperado, trajetória de moderação no crescimento da atividade econômica, enquanto o mercado de trabalho ainda mostra sinais de resiliência. Além disso, ressaltaram que a inflação cheia e as medidas subjacentes seguiram apresentando arrefecimento, mas mantiveram-se acima da meta, assim como as expectativas de inflação que constam no Relatório Focus.
Visão de Investimento: existia um certo receio no mercado de que os membros do Comitê poderiam tentar ajustar o tom da mensagem passada no comunicado da última reunião. Mas, apesar das ressalvas feitas pelo Comitê, o tom da Ata não foi interpretado como uma tentativa de mudar a interpretação do mercado do que foi a reunião da semana passada.
Diante disso, se confirmando o cenário esperado tanto pelo Comitê quanto por nós, projetamos o início do ciclo de cortes de juros na reunião de março. O tamanho do ciclo, bem como seu ritmo, seguirá dependente da evolução dos dados, sobretudo da inflação e do mercado de trabalho, além do vigor da atividade econômica, do comportamento do câmbio e das expectativas de inflação.
Seja como for, a iminência do início do ciclo de cortes da Selic reforça nossa visão otimista, principalmente para a renda variável no Brasil, dado que esse momento é historicamente positivo para essa classe de ativos.
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