Trump indica novo presidente do Fed e taxa de desemprego recua no Brasil

No Radar do Mercado: presidente dos EUA indica Kevin Warsh para a sucessão de Jerome Powell no Federal Reserve. No Brasil, taxa de desemprego fecha 2025 com mínima histórica. Na Europa, PIB de 2025 supera expectativas

Por Itaú Private Bank

6 minutos de leitura

Trump indica Kevin Warsh como novo presidente do Federal Reserve

O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira, 30, a indicação de Kevin Warsh para o cargo de presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA). A nomeação ainda precisa ser confirmada pelo Senado americano.

Warsh é formado pela Universidade de Stanford, doutor em Direito pela Universidade de Harvard e construiu carreira no setor financeiro, tendo ocupado cargos no banco Morgan Stanley antes de ingressar no governo. Ele foi o mais jovem diretor do Fed na história, aos 35 anos, e integrou o Comitê da instituição entre 2006 e 2011, tendo papel importante na reação da autoridade monetária à crise de 2008. Atualmente, ele atua como pesquisador visitante em economia no Instituto Hoover e é professor da Escola de Negócios da Universidade de Stanford, além de sócio da gestora de recursos Duquesne Family Office.

O nome de Warsh ganhou força como sucessor do atual presidente Jerome Powell nas últimas horas. Depois que ele se reuniu com Trump na Casa Branca ontem, sua indicação se tornou amplamente esperada pelo mercado.

A visão de Warsh parece ser de que é possível abaixar os juros porque os ganhos de produtividade obtidos com a inteligência artificial permitirão uma expansão da oferta na economia sem necessariamente gerar inflação. Warsh, embora seja um defensor da queda de juros, é visto como um nome mais ortodoxo entre os demais candidatos, o que indicaria uma menor pressão política sobre a autonomia do banco central americano.

Após a indicação de Warsh, o dólar registrou um movimento de alta na manhã de hoje, com alta nas taxas longas dos Treasuries americanos – e queda nos vencimentos mais curtos – enquanto a bolsa americana recuou. Commodities metálicas apresentaram retração mais acentuada, com destaque para o ouro e a prata.

Taxa de desemprego do Brasil recua no quarto trimestre de 2025

O IBGE divulgou nesta sexta-feira, 30, os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua indicando que a taxa de desemprego para o trimestre encerrado em dezembro de 2025 foi de 5,1%, em linha com as expectativas do mercado, o que representa uma queda de 1,1 p.p. em relação ao trimestre encerrado em dezembro de 2024 (6,2%). Na série com ajuste sazonal, a taxa de desemprego tem recuado, ficando ligeiramente abaixo de 5,5% ao final de 2025.

A queda registrada foi resultado do aumento do emprego (+0,1% na variação mês contra mês, com ajuste sazonal), associado à redução da força de trabalho (-0,1% na mesma comparação). Já a taxa de participação diminuiu 0,1 p.p., para 61,9%, combinando a queda da força de trabalho com a expansão da população em idade ativa. A população ocupada, por sua vez, cresceu no setor formal (+0,2%) e contraiu no informal (-0,1%).

Na parte de rendimento, a massa salarial real efetiva avançou 1,2%, impulsionada pela expansão do emprego associada ao aumento do rendimento médio (+0,7% na variação mês contra mês, com ajuste sazonal).

Visão de Investimentos: os dados divulgados hoje pelo IBGE reforçam a leitura de um mercado de trabalho resiliente. À frente, esperamos que, com a continuidade da desaceleração da atividade econômica, a taxa de desemprego mostre uma leve alta ao longo do ano. Com isso, o Banco Central deverá seguir com o início do ciclo de cortes de juros projetado para março, o que está em linha com a nossa visão otimista para a renda variável no Brasil.

PIB da Zona do Euro supera as expectativas

Gráfico de linha com a variação trimestral dos últimos cinco trimestres do PIB da Zona do Euro, Alemanha, França, Itália e Espanha
Fonte: Eurostat e Itaú Private Bank

O Produto Interno Bruto (PIB) da Zona do Euro cresceu 0,33% no quatro trimestre do ano em relação ao trimestre anterior, de acordo com os dados divulgados nesta sexta-feira, 30, pelo Escritório de Estatísticas da União Europeia (Eurostat).

O resultado representou uma leve aceleração em relação ao 0,27% registrado no terceiro trimestre de 2025 e superou as expectativas do mercado, que eram de crescimento de 0,2%. Já no acumulado do ano, o PIB da Zona do Euro cresceu 1,5%, uma aceleração em relação ao 0,8% registrado em 2024, também vindo acima das expectativas do mercado, de 1,4%.

Na composição por países, a Alemanha registrou crescimento de 0,3% no quatro trimestre, assim como a Itália (0,3%), enquanto a França registrou alta de 0,2% e a Espanha de 0,8%.

Visão de Investimentos: o crescimento da Zona do Euro em 2025 foi sustentado pela flexibilização da política monetária ao longo do ano, além de ter mostrado menor impacto do que o antecipado das tarifas americanas. Para 2026, as taxas de juros mais baixas ainda devem surtir um impacto positivo sobre a economia, com a continuidade do ciclo de crédito positivo, mas acreditamos que o estímulo fiscal da Alemanha será o principal motor de crescimento. Mais detalhes sobre a composição do PIB da região serão divulgados em 6 de março. Por ora, mantemos nossa visão neutra para a bolsa europeia.

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