Atividade reforça expectativa de PIB do Brasil forte no primeiro trimestre
No Radar do Mercado: dados divulgados pelo Banco Central e pelo IBGE trazem desempenho misto da atividade em fevereiro. Confira também ata da última reunião do Banco Central Europeu e o PIB da China
Por Victor Camacho
O Banco Central divulgou nesta quinta-feira, 16, o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), indicando uma alta 0,60% em fevereiro frente a janeiro na série com ajuste sazonal, ligeiramente acima do esperado pelo mercado (0,54%). Na comparação com fevereiro de 2025, o índice registrou queda de 0,27%.
A divulgação do IBC-Br fecha o quadro de indicadores de atividade para fevereiro. No início do mês, o IBGE divulgou a Pesquisa Industrial Mensal (PIM), com alta de 0,9%, acima da mediana das expectativas. Ainda assim, a comparação anual seguiu mostrando contração da indústria brasileira no período, de 0,7%.
No início desta semana, a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) indicou uma expansão de 0,1% do setor, valor abaixo da expectativa do mercado. Ainda assim, o componente de serviços prestados às famílias, que possui maior aderência com o PIB, apresentou uma surpresa positiva.
Ontem, a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) indicou um crescimento de 0,6% do varejo restrito em fevereiro, enquanto o varejo ampliado, que inclui itens como veículos, motos, partes e peças, material de construção e atacarejo, registrou alta de 1,0%, ambos abaixo do que o mercado esperava.
Na nossa visão, a bateria de dados de atividade de fevereiro teve desempenho misto frente às projeções e não altera nossa expectativa de crescimento forte no primeiro trimestre. Uma atividade sólida é um sinal positivo para o mercado de ações, onde temos atualmente uma posição sobrealocada. Para a renda fixa, onde seguimos com posições neutras, a resiliência da atividade segue como ponto de atenção. Ainda assim, o desempenho dos mercados recentemente tem sido mais relacionado ao desenrolar do conflito no Oriente Médio e o consequente impacto sobre os preços de petróleo.
Membros do Banco Central Europeu precisam de mais informações antes de ajustes nos juros
Também na manhã desta quinta-feira, 16, o Banco Central Europeu (BCE) divulgou a ata referente à reunião de março, quando os membros optaram por manter as taxas de juros inalteradas e adotaram uma postura cautelosa diante do cenário de incertezas gerado pelo choque geopolítico e energético.
Embora o Conselho tenha reiterado seu compromisso com a meta de inflação, a ata sugere que o BCE pode precisar de mais evidências antes de qualquer ajuste na política monetária. Os membros destacaram ser importante não agir de forma prematura com base em cenários adversos ou severos, a menos que os dados indiquem que eles se tornaram os mais prováveis.
Enquanto isso, os impactos iniciais do conflito já apareceram nos dados de inflação. A leitura final de março, divulgada hoje, confirmou que a aceleração da inflação foi explicada pelo avanço dos preços de energia, ainda sem evidências de repasse para os componentes não energéticos da cesta de consumo. O Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) da Zona do Euro de março passou de 2,5% para 2,6% na comparação anual.
Atividade chinesa segue dependente da demanda externa
Segundo dados divulgados na noite de quarta-feira, 15, o crescimento chinês acelerou no início de 2026. O PIB do primeiro trimestre avançou 5,0% frente ao mesmo período do ano passado, valor acima da projeção do mercado (4,8%) e no topo do intervalo da meta para o ano, entre 4,5% e 5,0%.
O crescimento foi liderado pelos componentes de exportações e indústria, com destaque para os setores de inteligência artificial e automóveis, enquanto a demanda doméstica seguiu fraca.
Também foram divulgados os dados de atividade referentes a março, indicando surpresa positiva na indústria e frustração no varejo. A produção industrial superou as projeções e avançou 5,7% frente a março do ano passado, enquanto as vendas no varejo ficaram abaixo da expectativa, com crescimento 1,7% na mesma métrica.
Na nossa visão, apesar da surpresa positiva no crescimento do primeiro trimestre, os dados seguem apontando para uma economia excessivamente dependente do mercado externo, enquanto a demanda doméstica segue frágil. Essa dinâmica de crescimento é exposta à resiliência do crescimento global, que pode ser impactado pelos efeitos do conflito no Oriente Médio.
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