Copom reduz Selic para 14,25% a.a., em linha com as expectativas, com tom mais dovish

No Radar do Mercado: Comitê reafirmou serenidade e cautela à frente, mas sinalizando que pode continuar com seu ciclo de calibração da política monetária

Por Carolina Sato

5 minutos de leitura

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu reduzir novamente a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para o patamar de 14,25% ao ano.

Gráfico de linha com a trajetória da Taxa Selic desde janeiro de 2021 até julho de 2026
Fonte: Banco Central do Brasil e Itaú Private Bank

O comunicado da decisão trouxe uma deterioração do quadro inflacionário. O Copom reconheceu aceleração da atividade econômica no primeiro trimestre, com setores mais cíclicos ganhando relevância, e afirmou que a inflação cheia e as medidas subjacentes aceleraram, superando o limite superior da meta na última leitura.

As projeções de inflação também pioraram: o modelo da autoridade monetária para o 4º trimestre de 2027 (atual horizonte relevante para política monetária) subiu de 3,5% para 3,7%, enquanto as expectativas, segundo o Relatório Focus, para 2026 e 2027 avançaram para 5,30% e 4,10%, de 4,90% e 4,00%, respectivamente. Em relação à reunião anterior, o comunicado também adicionou novos riscos de alta ligados a efeitos climáticos e estímulos à demanda agregada, sem mencionar que o balanço de riscos se tornou assimétrico.

Ao mesmo tempo, o Comitê reafirmou serenidade e cautela e indicou que a magnitude total do ciclo será definida à luz de novas informações. A autoridade monetária sinalizou que trajetórias alternativas para a taxa básica de juros levam a uma convergência da inflação à meta no primeiro trimestre de 2028, o horizonte relevante a partir de sua próxima decisão. Essa mudança na comunicação sugere maior flexibilidade para dar sequência ao ciclo de calibração da política monetária.

Em nossa leitura, o comunicado reforça a percepção de que ainda há espaço para pelo menos mais um corte na taxa Selic, embora a continuidade dependa da evolução do cenário.

Nossa visão para os mercados

Após um período entre reuniões de muita turbulência, o Comitê optou por incorporar alguns riscos adicionais à sua descrição de cenário. A intensidade das revisões de projeções de Selic e inflação que observamos nas últimas semanas expôs a fragilidade do processo de convergência de inflação no Brasil.

O mercado de trabalho apertado e a sequência de medidas de estímulos à economia contribuem para esse panorama desafiador, além do pano de fundo mais adverso para renda fixa ao redor do mundo, que também precisa lidar com a inflação mais alta. Dessa forma, para dar prosseguimento aos cortes, o Comitê dependerá de uma estabilização do cenário, e, portanto, nessa reunião, optou por manter suas opções abertas em ambiente de baixa visibilidade e riscos elevados.

Por outro lado, o BC indicou que, à luz dos dados de hoje, ainda enxerga um espaço residual para ajustar a taxa de juros, o que pode ser lido como menos conservador por parte dos participantes de mercado.

Com relação à nossa alocação tática, seguimos com nosso viés neutro para a renda fixa, que adotamos desde o início do conflito no Oriente Médio, considerando a necessidade de juros mais restritivos por mais tempo devido à inflação pressionada. Nesse interim, também tivemos desenvolvimentos mais negativos em relação a possível persistência da inflação, refletido nas projeções de mais longo prazo do Focus. Assim, continuamos cautelosos mesmo diante do aumento recente de taxas na renda fixa local, e devemos seguir monitorando os desdobramentos macroeconômicos em busca de oportunidades de investimento mais atrativas.

Já para a renda variável brasileira, a decisão não possui um impacto relevante no curto prazo. A classe de ativos continua sensível ao nível de juros, uma vez que valuations, custo de capital e fluxo para ativos de risco dependem de um ambiente monetário mais benigno. Adicionalmente, o comportamento do investidor estrangeiro permanece como um dos principais vetores de curto prazo para a bolsa local, dada sua relevância na formação de preços e sua sensibilidade ao cenário global de liquidez, juros e percepção de risco.

Seguiremos monitorando as oportunidades de mercado e atualizando nossos clientes sempre que necessário, por meio da nossa Carta Mensal de Investimento, ou tempestivamente, por meio do nosso comunicado Visão de Investimentos.

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