Indústria e serviços sustentam atividade no Brasil, enquanto comércio mostra fraqueza
No Radar do Mercado: IBGE divulga última pesquisa de atividade relativa a abril, às vésperas de nova reunião do Copom. Na China, desaceleração da demanda doméstica contrasta com resiliência do setor externo
Por Carolina Sato
Atividade no Brasil: quadro de abril foi misto, com indústria e serviços mais fortes, mas varejo mais fraco
O IBGE divulgou na manhã desta terça-feira (16/6), a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) de abril, fechando os dados de atividades pesquisados pelo instituto para o mês. Em abril, as vendas do varejo restrito registraram queda de 1,5% em relação ao mês anterior, enquanto o varejo ampliado, que inclui itens como veículos, motos, partes e peças, material de construção e atacarejo, registrou queda de 0,7% no mesmo comparativo. A leitura foi mais fraca do que o esperado e com recuo relativamente disseminado entre os setores.
Antes, o IBGE já tinha divulgado os resultados da indústria e de serviços, também relativos a abril. A Pesquisa Industrial Mensal (PIM) mostrou que a produção industrial avançou 0,7% na margem em abril, quarto mês consecutivo de crescimento, com surpresa concentrada na indústria extrativa. Já a indústria de transformação veio em linha com o esperado, e tem mostrado resultados mais moderados.
Já a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) mostrou que o volume de serviços subiu 1,2% na margem em abril, recuperando a fraqueza observada no mês anterior. O avanço foi disseminado, mas a leitura continua sendo de um setor relativamente estável nos últimos meses.
No conjunto, os dados de abril sugerem uma atividade econômica ainda resiliente no Brasil, consistente com um crescimento ao redor de 2% ano contra ano (a/a), mas sem aceleração disseminada. Segundo o Relatório Focus, os analistas continuam revisando suas projeções para o PIB de 2026 para cima, em linha com nossa visão de um crescimento mais robusto para o ano.
Atividade na China: dados mostram fraqueza em maio
Na China, dados de atividade de maio foram divulgados na noite desta segunda-feira (15/6), reforçando a dinâmica de crescimento em “K”, com desaceleração da demanda doméstica contrastando com a resiliência do setor externo. A produção industrial avançou 4,5% a/a, sustentada pelo ciclo de tecnologia e inteligência artificial, enquanto a produção de veículos elétricos também manteve forte expansão.
Em contrapartida, as vendas no varejo voltaram a recuar (-0,6% a/a), com desempenho pior que o esperado. A principal contribuição negativa veio do segmento automotivo, mesmo em meio ao crescimento da produção de veículos elétricos.
Por fim, o investimento em ativos fixos surpreendeu negativamente, com queda de 4,1% a/a (acumulado no ano até maio), refletindo fraqueza tanto no setor imobiliário quanto na indústria. Dessa forma, após a surpresa positiva do PIB no 1º trimestre, os dados recentes apontam para moderação do crescimento no 2º trimestre, com estímulos ainda focados em setores específicos, como tecnologia e serviços.
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